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Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & CLUBES & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 17 Dez 2009

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Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & CLUBES & Artigo da Semana 2009 Auriel de Almeida em 13 Out 2009

ARTIGO DA SEMANA NUMERO 39- 2009 Os uniformes do Canto do Rio F.C.

A primeira informação referente ao uniforme do Canto do Rio encontrada é de 1918: uniforme inteiramente branco, com as iniciais bordadas, em azul, no peito.

Nos anos 20 algumas fotos denotam que o clube utilizava majoritariamente o uniforme branco, mas no fim da década já aparecem fotos em que a cor da camisa é totalmente azul.

Na década de 30 o clube utiliza (aparentemente) exclusivamente o uniforme composto de camisas azuis, golas brancas e calções brancos. O azul do clube, até então, é aquele azul bem padrão, forte, o que motiva a alcunha “clube alvi-anil”.

Em 1941, porém, o clube entra no Campeonato Carioca, e resolve mudar o uniforme. Para homenagear a Federação Fluminense, cusa seleção utilizava camisas celestes, o clube adota o uniforme listrado azul-celeste e branco. Porém mantendo calção, escudo e meiões com o azul original de seus estatutos (embora em algumas fotos o clube utilize o escudo também em alvi-celeste, ou calções e meias brancas).

Nas competições de Niterói, onde o clube manteve um time “B”, o clube permaneceu com o seu uniforme original.

Em 1948 o clube, mais uma vez, resolveu inovar. Adotou, no Campeonato Carioca, camisas em estampa xadrez, nas cores branca e azul (o azul original do clube), deixando as cores celestes para trás.

Porém, rapidamente a novidade foi deixada de lado, voltando as camisas alvi-celestes e calções anis, com as quais conquistou o Torneio Início de 1953, aliás.

Em 1956 o clube experimentou mais um uniforme. Anunciou a volta das camisas azuis com golas brancas, porém com calções pretos e meiões cinzas, em uma combinação que, visualmente, era muito bonita. Vez ou outra o clube utilizava calções celestes ou, segundo o jornal “O Estado” anunciou uma vez, cinzas (!), porém disso eu nunca vi foto. O clube continuou com esse uniforme, vez ou outra utilizando calções brancos, até que os calções brancos e meias alvianis voltaram a predominar nos anos 60, mas mantendo a camisa que, pelos estatutos, é a oficial.

Nos anos 70, agora disputando esclusivamente competições do Estado do Rio, o clube tinha dois uniformes: além do oficial azul com gola branca, o listrado. Porém essas listras não era mais alvi-celestes, mas alvi-anis. Pelo que eu lembro, as listras alvi-anis foram utilizadas pelo clube em 2001.

Nas últimas passagens do clube no futebol estadual, em 2007 e 2008, eram três uniformes: listrado alvi-celeste, inteiramente azul, e o inteiramente celeste, algo que, creio eu, nunca foi utilizado antes disso.

A numeração do clube, nas camisas listradas, costumava ser em preto ou azul mais escuro.

uniformes cr - uniformes cr

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonatos Históricos & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 12 Out 2009

Campeonato Niteroiense de 1949

Organizado pelo Departamento Niteroiense de Futebol, da Federação Fluminense de Desportos, o campeonato da capital em 1949 foi considerado o mais emocionante de todos os tempos.

A disputa foi realizada em campo, sem brigas entre os clubes ou perda de pontos, o que por si só já era um milagre.

Foram duas decisões memoráveis, a da Série Harmonia (uma das chaves do campeonato), entre Fonseca e Canto do Rio, e da finalíssima, entre Fonseca e Ypiranga, este último o grande campeão.

Na citada Série Harmonia, Fonseca e Canto do Rio lideraram, empatados em pontos perdidos, até a penúltima rodada do returno. Até então, o Canto do Rio fora derrotado apenas pelo Niteroiense, na estréia, e o Fonseca pelo próprio Cantusca, no turno (um emocionante 4 a 2).

Para o Fonseca, bastava a vitória para ser o campeão, pois era o seu último compromisso. O Canto do Rio, se vencesse, ficava com a mão na taça, precisando de um reles empate na última rodada contra o lanterninha Espírito Santo, ou no remoto caso de perder este compromisso seria obrigado a disputar uma melhor-de-três. Um empate entre Fonseca e Canto do Rio também deixaria uma melhor-de-três à vista, em caso de vitória alvi-anil contra o Espírito Santo.

O jogo não foi concluído, por falta de luz, com o placar apontando 3 gols para o Fonseca e 2 gols para o Canto do Rio. Após dias de tensão, os minutos finais seriam disputados, com o Canto do Rio todo armado no ataque e o Fonseca segurando o resultado. E o jogo não se alterou: 3 a 2 para o Fonseca, e o Galo Carijó classificou-se para a finalíssima.

Na Série Vigor, o campeonato foi liderado, do início ao fim, pelo Ypiranga. Sem jogar um futebol de muito brilho, as vitórias foram se seguindo - cinco seguidas, garantindo uma liderança folgada. Porém, nas últimas rodadas, o rubro-negro desandou: depois de um empate justo com o vice-líder Oliveiras, o Ypiranga foi humilhado pelo Cruzeiro (6 a 1) e, abalado, empatou com o até então lanterna do grupo Humaitá. Mesmo assim o clube manteve a primeira posição, classificando-se para a final, completamente desacreditado.

Na finalíssima (uma melhor de quatro pontos), o Fonseca, favorito, abriu 3 a 1 no primeiro jogo, mas a poucos minutos do fim o Ypiranga arrancou forças do além para empatar a partida em três tentos.

Durante a semana, a notícia de que o Fonseca sofrera com dois afastamentos de jogadores por lesão animou ainda mais o espírito do Ypiranga, que de desacreditado passou a uma situação confortável na final.

No segundo jogo, o Ypiranga mostrou o seu melhor futebol na temporada e venceu por disputadíssimos 4 a 3, ficando a um empate do título. O Fonseca, agora, precisava vencer o terceiro jogo e forçar uma quarta partida, a “negra”.

Porém, não foi o que aconteceu. O Ypiranga venceu mais uma vez, com autoridade, mostrando com os 4 a 2 ser um digno merecedor do título.

Resultados:

Série Harmonia

Turno:

1ª rodada
Fonseca 7-3 Fluminense
Niteroiense 3-1 Canto do Rio

2ª rodada
Niteroiense 4-2 Byron
Fonseca 2-1 Espírito Santo

3ª rodada
Fluminense 0-4 Canto do Rio
Byron 0-3 Fonseca

4ª rodada
Espírito Santo 1-4 Canto do Rio
Fluminense 1-3 Byron

5ª rodada
Fonseca 3-0 Niteroiense

6ª rodada
Fonseca 2-4 Canto do Rio
Espírito Santo 1-2 Fluminense

7ª rodada
Fluminense 1-1 Niteroiense

8ª rodada
Canto do Rio 2-1 Byron
Niteroiense 1-1 Espírito Santo

9ª rodada
Byron 2-4 Espírito Santo

Returno:

1ª rodada
Fluminense 1-2 Fonseca
Canto do Rio 0-WO Niteroiense (o Niteroiense não compareceu)

2ª rodada
Byron 4-2 Niteroiense
Canto do Rio 7-2 Fluminense

3ª rodada
Espírito Santo 1-2 Fonseca

4ª rodada
Niteroiense 4-6 Fonseca

5ª rodada
Fonseca 5-2 Byron
Fluminense 3-2 Espírito Santo

6ª rodada
Espírito Santo 1-3 Byron

7ª rodada
Espírito Santo 1-5 Niteroiense

8ª rodada
Byron 1-2 Canto do Rio

9ª rodada
Canto do Rio 2-3 Fonseca
Niteroiense 4-5 Fluminense

Com o título da série já definido, os jogos abaixo não foram realizados, com os piores colocados entregando os pontos aos adversários melhores colocados. Era de praxe isso acontecer, em Niterói:
Canto do Rio 0-WO Espírito Santo
Byron WO-0 Fluminense

1. Fonseca 2 pontos perdidos
2. Canto do Rio 4 pp
3. Fluminense 11 pp
4. Niteroiense 12 pp
5. Byron 14 pp
6. Espírito Santo 19 pp

Série Vigor

Turno:

1ª rodada
Sepetiba 2-4 Ypiranga
Humaitá 0-3 Oliveiras

2ª rodada
Oliveiras 2-4 Cruzeiro

3ª rodada
Cruzeiro x Humaitá (adiado)

4ª rodada
Ypiranga 3-0 Oliveiras

5ª rodada
Sepetiba 2-2 Humaitá

6ª rodada
Cruzeiro x Sepetiba (adiado)

7ª rodada
Ypiranga 1-0 Cruzeiro
Oliveiras 2-0 Sepetiba

8ª rodada
Humaitá 2-3 Ypiranga

9ª rodada (jogo adiado da 3ª rodada)
Cruzeiro 5-0 Humaitá

Returno:

1ª rodada
Oliveiras 2-1 Humaitá

2ª rodada
Ypiranga 3-1 Sepetiba

3ª rodada
Humaitá 2-2 Cruzeiro

4ª rodada
Oliveiras 2-2 Ypiranga

5ª rodada
Sepetiba 2-2 Cruzeiro

6ª rodada
Cruzeiro 6-1 Ypiranga
Sepetiba 2-5 Oliveiras

7ª rodada
Cruzeiro 1-2 Sepetiba (adiado do primeiro turno)
Ypiranga 3-3 Humaitá

8ª rodada
Cruzeiro WO-0 Oliveiras (conforme já citado, a série já estava definida e o pior colocado entregou os pontos)

1. Ypiranga 4 pp
2. Oliveiras 5 pp
3. Cruzeiro 8 pp
4. Humaitá 11 pp
5. Sepetiba 12 pp

Finais:

Fonseca 3-3 Ypiranga
Ypiranga 4-3 Fonseca
Fonseca 2-4 Ypiranga

Classificação geral:
Bem, como os grupos tinham número diferentes de equipes, é meio injusto contabilizar os pontos ganhos ou perdidos numa classificação geral. Clubes de um grupo menor levam vantagem em pontos perdidos, e vice-versa.

Por isso, abaixo do campeão e do vice, listei os clubes por aproveitamento de pontos:

1. Ypiranga
2. Fonseca
3. Canto do Rio 80%
4. Oliveiras 69%
5. Cruzeiro 50%
6. Fluminense 45%
7. Niteroiense 40%
8. Humaitá 31%
9. Byron 30%
10. Sepetiba 25%
11. Espírito Santo 15%

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) Auriel de Almeida em 11 Out 2009

Pedido - Tio Sam campeão de 1995

Caros amigos,

gostaria de saber se alguém tem os resultados da terceirona carioca de 1995, na qual o Tio Sam foi campeão?

Estou precisando para uma base de dados sobre clubes de Niterói, está difícil de achar nos jornais. Nos anos 90 se ignorava muito as divisões muito inferiores pela imprensa.

Abs!

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) Auriel de Almeida em 09 Out 2009

Aniversários de clubes niteroienses

Apenas os que ainda existem, para os arquivos do colega Andre Martins.

Do mais velho para o mais novo, contando apenas os que já disputaram futebol.

G.R. Gragoatá - 5/2/1895 (114 anos)

C.R. Icaraí - 11/6/1895 (114 anos)

Rio Cricket A.A. - ?/9/1897 (112 anos)

Fluminense A.C. - 7/9/1913 (96 anos)

Canto do Rio F.C. - 14/11/1913 (95 anos)

Fonseca A.C. - 12/10/1917 (91 anos, faz 92 segunda-feira que vem)

Combinado 5 de Julho - 5/7/1927 (82 anos)

Cruzeiro F.C. - 23/10/1932 (76 anos, quase com 77)

Humaitá A.C. - 8/1/1933 (76 anos)

Club Español de Niterói - 26/3/1964 (45 anos)

Futuro Bem Próximo A.C. - 6/9/2000 (9 anos)

Não contei clubes que só existem enquanto construção abandonada (Ypiranga e Manufatora) ou que se mudaram para São Gonçalo (Bela Vista e Costeira).

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) Auriel de Almeida em 26 Set 2009

Uma goleada espetacular: Ypiranga de Niterói 11 a 5 no São Cristóvão

Antes do profissionalismo, que arrastou todos os craques de Niterói e região para o futebol carioca, existia um clube forte em Niterói: Ypiranga Foot-Ball Club, o rubro-negro da Rua São Lourenço, ou o “Club Indígena” como era chamado.

Fundado no dia 18 de setembro de 1912, o clube nasceu azul e branco, mas após a disputa de uma taça amistosa com o Flamengo em 1921 resolveu adotar as cores rubro-negras do rival.

Em 1926 o clube conquistou o seu primeiro campeonato da cidade, dando início a uma era mágica. Após um vice em 1927, conquistou seguidamente os títulos de 1928, 1929, 1930 e 1931, além de ser a base para a seleção de Niterói campeã estadual no mesmo período: 1928, 1929, 1930, 1931. Seus jogos, frequentemente, eram goleadas. E mesmo de fora do eixo Rio-SP (na verdade, eixo DF-SP) chamou atenção o suficiente para que dois de seus jogadores fossem convocados para a seleção: Manoelzinho e Oscarino, reservas em 1930. O clube arrebatou a torcida da cidade, e ganhou o título de “o mais querido da cidade”, título que seria roubado pelo Canto do Rio após os anos 40.

No aniversário de 19 anos do clube, em 18 de agosto de 1931, o clube promoveu uma festa especial, para inauguração dos refletores de seu campo - futuro Estádio Luso-Brasileiro.

A festa começou de tarde, com os segundos quadros de Ypiranga e Byron se enfrentando, com vitória rubro-negra de 4 a 2.

Em seguida, enfrentaram-se as duas equipes de futebol feminino do Brasil Suburbano (clube do Rio), uma delas vestida com o uniforme ypiranguense. O placar não foi mencionado, o jornal preferiu o velho preconceito de destacar a beleza das meninas.

E, finalmente, o time principal do Ypiranga contra o São Cristóvão, convidado de honra do futebol carioca.

As equipes alinharam assim:

Ypiranga: Pardal, Luiz e Alcides; Everardo, Tané e Irênio; Jacatibá, Edésio, Guerra, Manoelzinho e Caláo.
São Cristóvão: Natal, Zico e Farani; Aguella, Belleza e Ernesto; Lopes, Jaburu, Domingos, Itho e Aderbal.

O Ypiranga vinha de uma goleada humilhante imposta sobre o fraco São Bento no campeonato niteroiense, pelo elástico placar de 12 a 2, mas não se esperava que a história fosse se repetir em uma equipe mais conceituada. Mas um a um os gols foram saindo.

O Ypiranga saiu rápido na frente, abrindo 2 a 0 com gols de Tané e Edésio, mas o São Cristóvão rapidamente empatou com Itho e Jaburu. Mas então a porteira se abriu. Edésio, Caláo, Manoelzinho, Jacatibá e de novo Manoelzinho fizeram, quase que seguidamente, 5 gols, fechando o primeiro tempo em absurdos 7 a 2! A atuação do São Cristóvão era incompreensível, apagão geral, e a do Ypiranga irrepreensível, tudo dava certo!

No segundo tempo o São Cristóvão voltou se arrastando, sem acreditar no que acontecia. E o Ypiranga enfiou mais quatro gols, chegando a 11 a 2 com Manoelzinho, Guerra, Caláo e novamente Manoelzinho! A partir daí o rubro-negro relaxou, e o São Cristóvão conseguiu “diminuir” o vexame, marcando 3 gols (de autoria desconhecida) e fechando o jogo em “só” 11 a 5.

Tempos felizes para o Ypiranga, que três dias depois, em meio ao campeonato brasileiro de seleções, ainda conseguiu vencer mais um amistoso importante, contra a seleção baiana - derrotada por 2 a 1.

A derrocada dos clubes de Niterói começou com o profissionalismo. O clube foi até profissional, de 1934 a 1940, e depois de 1954 a 1958, porém nem ele nem nenhum outro clube de Niterói conseguia competir financeiramente com o Rio de Janeiro. E a proximidade entre as cidades fez com que nem ao menos os clubes sobrevivessem como formadores de atletas - afinal, os craques fluminenses iam direto para as peneiras cariocas, tão próximas, quando jogavam em Niterói era no juvenil e olha lá, já se profissionalizavam direto no futebol do Rio.

Por essa razão, também, a distância ajudou a cidade de Campos a se preservar mais um pouco, e os clubes campistas conseguiram resistir no profissionalismo por mais tempo.

Somado a isso a presença do Canto do Rio no campeonato carioca ajudou a afastar a torcida dos demais clubes da cidade. O niteroiense passou a torcer para os clubes cariocas e para o Canto do Rio como segunda opção, herdando este o título de “o mais querido de Niterói”, que já fora do Ypiranga. E, bem ou mal, o Canto do Rio no futebol carioca conseguiu ficar num patamar bem acima do restante do futebol fluminense, servindo de “refugo” para os atletas que não jogavam nos grandes, mas preferiam a visibilidade do cariocão. Isso é facilmente observável nos amistosos do Cantusca contra as equipes fluminenses. Se o alvi-celeste não era tão bem-sucedido no campeonato carioca, vencia com facilidade os amistosos contra Fonseca, Goytacaz, Americano e demais equipes que disputavam campeonatos fluminenses. Essas mesmas equipes, que no amadorismo enfrentavam cariocas com equipes principais, passaram a receber apenas equipes mistas/juvenis/reservas dos grandes do Rio, e com frequência perdiam, explicitando o abismo técnico entre o futebol carioca e o futebol fluminense.

E, em meio a tudo isso, é impressionante a quantidade de craques cariocas que, na verdade, eram do Estado do Rio. Garrincha, Gérson, Didi, Amarildo, Zizinho, Altair, Orlando Peçanha, Roberto Miranda, só pra citar alguns que vestiram a camisa da seleção, são bons exemplos.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) Auriel de Almeida em 12 Set 2009

O campeão da Divisão Intermediária-RJ de 1995: Barra Mansa ou Barra de Teresópolis?

Muita confusão é feita nesse ano. Afinal, algumas listas dizem que é o Barra Mansa, outras informam ser o Barra de Teresópolis…

Bem, tentando explicar um pouco a confusão:

- Em 1995 a FFERJ dividiu a Primeira Divisão em Módulo Especial e Módulo Intermediário, sendo o Especial superior ao Intermediário. Ambos os módulos, por sua vez, eram divididos em chaves A e B.

- As chaves A e B do Módulo Especial eram iguais em condição. Já a chave A do Módulo Intermediário era superior a chave B do mesmo módulo. Como? Vocês vão entender depois.

- No primeiro turno os clubes de cada chave se enfrentaram em turno e returno, isso em ambos os módulos.

- No Módulo Especial foi campeão da chave A o Botafogo, e da chave B o Flamengo. Os dois disputaram a Taça Guanabara, que valia ponto extra para a fase final. Classificaram-se os sete melhores clubes, somados os pontos de todas as chaves, diretamente para a fase final. O oitavo colocado, no caso o Entrerriense, teria que disputar uma repescagem. Os quatro piores clubes disputariam, paralelamente à fase final, um torneio de rebaixamento, que rebaixaria dois clubes - que no ano seguinte disputariam o Módulo Intermediário, em sua chave A.

- No Módulo Intermediário o campeão da chave A foi o Barra Mansa, e o vice o Bayer. O Barra Mansa se classificou para a repescagem para a fase final, e garantiu uma vaga no Módulo Especial em 1996, ao lado do Bayer. Os dois piores da chave A disputariam, no ano seguinte, a chave B da intermediária (entenderam porquê a chave A era superior à chave B?).

- Já o campeão da chave B do Módulo Intermediário foi o Barra, de Teresópolis, que se classificou para a repescagem da fase final do estadual. E, no ano seguinte, “subiria” para a chave A do mesmo módulo. Isso criou uma situação inusitada: pelo regulamento, mesmo que vencesse a repescagem e no fim das contas fosse campeão estadual o Barra continuaria no Módulo Intermediário no ano seguinte, só subiria de chave.

- Na tal repescagem, Barra Mansa e Barra de Teresópolis se enfrentaram, no Caio Martins (em 19/3) com a vantagem do empate para o Barra Mansa (por ser de “categoria superior”). Porém o Barra venceu (1 a 0), e se qualificou para enfrentar o Entrerriense pela última vaga. O Entrerriense, por ser de categoria superior, tinha a vantagem do empate nesse confronto, mas fez melhor e venceu: 3 a 2, na Rua Bariri, tornando-se o oitavo clube na fase final.

Por essa razão, ficam as duas óticas:

- O Barra Mansa é o campeão “moral” de uma segunda divisão, pois a Intermediária A estava acima da B e o clube subiria de módulo, classificando-se para a elite de 1996.

- O Barra de Teresópolis é o campeão “moral” de uma segunda divisão, pois chave à parte o Módulo era um só e a disputa entre os campeões das chaves foi vencida pelo clube teresopolitano.

Enfim, coisas do futebol carioca.

Em tempos: no fim das contas nem Barra Mansa nem Bayer subiram. Quer dizer, LEGALMENTE subiram sim, pois em 1996 disputaram o Módulo Especial.

Porém, a FFERJ criou um novo módulo, superior ao Especial, chamado de Módulo Extra, classificando os clubes que quis e deixando os outros no Módulo antigo. Uma espécie de “rebaixamento de módulos”.

Os critérios bizarros para excluir alguns clubes:
1- O Entrerriense foi o último da fase final (o que significa ser o oitavo entre 16). Por isso, não foi para o Módulo Extra de 1996.
2- Os quatro últimos disputaram o torneio do rebaixamento. Os dois rebaixados originais cairiam mesmo, porém os dois primeiros desses torneios foram considerados “salvos” e classificados para o módulo extra. (Obviamente um deles foi o Americano).
3- “Pulando” esses dois salvos, eliminou-se o clube que, dentre os não classificados para a fase final mas também não jogados para o grupo do rebaixamento, teve a pior colocação.

Uma maravilha.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 07 Set 2009

As cores do Niteroiense Football Club

Caros amigos,

complementando o ótimo artigo do Eduardo com a carteirinha do Niteroiense Football Club (finalmente podemos saber a disposição das cores do escudo), gostaria de esclarecer: o clube sempre foi alvinegro, porém com as cores adicionais azul e rosa no escudo, apenas.

Já vi um desenho do escudo em uma charge de jornal, com o mascote do clube (parecia um guerreiro africano, com lança e escudo do clube - escudo mesmo, de batalha) que reproduzi aqui, porém o desenho era mais arredondado em baixo. Possivelmente erro do chargista, e coicidentemente há pouco tempo vi uma foto mais de perto em que era possível perceber que o escudo devia ser pontudo embaixo. Como o jornal era em preto e branco, naturalmente acreditei ser o escudo alvinegro, como o clube, visivelmente alvinegro nas fotos e chamado sempre de “o alvinegro de Visconde de Sepetiba”, com uniforme listrado como o Botafogo.

Porém, comecei a reparar que nas fotos o escudo era escuro, cinza e preto nos jornais p&b, o que achei estranho, talvez efeito da foto.

Porém, uma matéria de O Fluminense sobre a história do clube, publicada nos anos 70, revelou coisas interessantes. O clube, inicialmente, foi fundado no bairro de Ponta D’Areia, porém mudou de campo ao fazer uma fusão com um clube chamado Caravelle, que utilizava as cores azul e rosa. A identidade do Niteroiense FC prevaleceu (assim como o America e o Vasco se fundiram a Haddock Lobo e Lusitânia mas mantiveram a identidade do mais antigo), porém para homenagear o Caravelle o clube passou a utilizar o rosa e o azul no seu distintivo, mas mantendo as listras alvinegras na bandeira e no uniforme.

Ou seja, apenas o escudo do clube é multicolor, porém o Niteroiense sempre foi alvinegro.

Porém, nunca consegui saber exatamente a disposição dessas cores, o que agora sei, graças ao Edu. Lamento até não ter lido o artigo antes, pois ganharia o meu voto de artigo da semana…

Na Europa é muito comum as cores dos emblemas não baterem com as do uniforme, vide Barcelona, Real Madrid, Benfica, La Coruña etc. E pq não lembrar do Corinthians, alguém que só visse o escudo poderia imaginar que o Timão é tricolor.

Bem, é isso. Niteroiense Football Club, de camisas alvinegras e escudo azul, rosa e preto.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonatos Históricos & Campeonato Fluminense & Artigo da Semana 2009 Auriel de Almeida em 31 Ago 2009

ARTIGO DA SEMANA N°33/2009 Lista atualizada e corrigida dos Campeonatos disputados em Niterói: parte I (1913-1924)

Oi, amigos!

Finalmente consegui pesquisar, em todos os anos, as competições por clubes da antiga capital do Estado do Rio. Segue, ano a ano, com comentários. As poucas coisas que faltam pesquisar estão em parênteses.

1913
Campeão: Guarany F.C.
(bairro: Santa Rosa)
A primeira vez (que se tem conhecimento) em que o título de Niterói foi posto à prova foi em 1913. Aparentemente o título foi organizado pelos próprios clubes, em acordo conjunto, com o apoio de uma tal Associação Athletica de Nictheroy e a Taça e as medalhas foram oferecidas pelo Diário da Manhã, de Niterói. O Guarany - chamado de “os camisetas vermelhas” foi campeão invicto.

1914
Campeão: Ararigboya F.C.
(bairro: Santa Rosa)
Uma correção nesse ano: anteriormente o Rio Branco FC estava listado como campeão por uma confusão de informação. O Rio Branco venceu o Ararigboya no jogo que foi chamado de “encerramento da temporada”, o que levou à confusão, pois parecia que esse jogo valia o título. Mas o Ararigboya já era o campeão, com razoável antecedência. O clube permaneceu invicto até garantir o título, depois relaxou e perdeu para Barreto e Rio Branco (únicas derrotas conhecidas). Nesse ano os clubs se reuníram e fundaram a Liga Sportiva Fluminense, para dirigir o Estado do Rio.

1915
Campeão: Ararigboya F.C.
(bairro: Santa Rosa)
No chamado I Campeonato Fluminense de Futebol, aberto a todo o estado - porém apenas equipes da capital se inscreveram - o Ararigboya tornou-se o grande campeão. Pela primeira vez foram organizados torneios de segundos e terceiros quadros, também. Os jornais da época tratam do Guarany e do Ararigboya (chamado de “os periquitos”) como os grandes rivais da cidade.

1916
Campeão: Parnahyba F.C.
(bairro: Largo do Barradas)
Em 1916 a Liga Sportiva Fluminense ganha sua primeira filiada: a Liga Campista de Football, que reconhece a entidade da capital como a entidade máxima dos sports do Estado. Para comemorar a parceria, cria a Taça Nilo Peçanha, a ser disputada pelas seleções dos jogadores de Niterói e de Campos. Com uma vitória para cada lado, a Taça é considerada sem vencedor.

No campeonato da chamada “Divisão de Honra” da Liga Sportiva Fluminense, a primeira surpresa (de muitas que se sucederiam em Niterói): o modesto Parnahyba F.C., do Largo dos Barradas, é campeão. Mal-visto pela imprensa, o Parnahyba era criticado por ter vários jogadores cariocas entre os fluminenses. Bem ou mal, o rubro-negro foi campeão.

1917
Campeão da LSF: Odeon F.C.
(bairro: Centro)
Campeão da AFDT: Byron F.C. (bairro: Barreto)
Em 1917 houve um racha em Niterói, por razões desconhecidas. Ararigboya, Byron e Cruzeiro do Sul fundaram outra entidade - a Associação Fluminense de Desportos Terrestres. O Byron Football Club, club da rapaziada operária da Fábrica de Tecidos Fluminense, foi o campeão. Curiosidade: o pai de Zizinho, que também jogaria no Byron, fez parte do time campeão. Outra curiosidade: o club possuía muitos atletas negros. Mas ao contrário do Rio de Janeiro, isso não parecia ser um problema.

Na LSF, foi campeão o Odeon F.C., chamado de “o club da chacrinha”, simpática agremiação do Centro da cidade que já vinha fazendo boas campanhas e prometia ser um grande clube na cidade.

A Taça Nilo Peçanha foi vencida pelos campistas. A imprensa de Niterói, como não podia deixar de ser, lamentou a derrota, culpando a cisão na capital.

1918
Campeão da LSF: Nictheroyense F.C.
(bairro: Centro)
Campeão da AFDT: não concluído
Em 1918 aquele que viria a ser o mais famoso clube de Niterói ingressou na AFDT: o Canto do Rio Football Club. E sua estréia foi com título: o I Torneio Início realizado no Estado do Rio, com uma vitória sobre o Byron na final.

Porém dois eventos arruinariam a AFDT nesse ano: a gripe espanhola, que paralizou os campeonatos (de ambas entidades, aliás) e que provocou sérias baixas no Ararigboya, que abandonou o campeonato em meio ao luto de muitos players, e o posicionamento da Confederação Brasileira de Desportos, que por 14 votos a 1 decidiu escolher a Liga Sportiva Fluminense como a liga oficial do estado. Rapidamente a AFDT foi abandonada pela imprensa e pelo fundador Byron, em uma atitude surpreendente, pois o mesmo liderava o campeonato! A AFDT então, faliu, com apenas o Canto do Rio ao seu lado até o final. No momento da paralisação o club liderava os segundos quadros e estava em terceiro na tabela, atrás de Byron e Ararigboya.

Na velha LSF, tudo correu bem. O alvinegro Nictheroyense, que disputou ponto a ponto com o Fluminense, foi o campeão. Na Taça Nilo Peçanha, nova vitória da seleção campista.

1919
Campeão: Fluminense A.C.
(bairro: Icaraí)
Em 1919 o campeonato ganhou mais charme e importância, com a pacificação das entidades. Começaram a ser bem definidos os papéis dos chamados “grandes clubes”: Fluminense e Canto do Rio, que dividiam a torcida da Zona Sul, e Barreto e Byron, que dividiam a Zona Norte, eram os mais populares, com os jornais insinuando que a torcida barretense era a maior da cidade. Logo depois tinham destaque o Nictheroyense, Ypiranga, Odeon e os “velhs rivais” Ararigboya e Guarany, mais fracos do que o início da história prometia.

Sem nenhuma derrota o Fluminense Athletico Club, o “Tricolor da Cidade”, foi o grande campeão, e começa a ser tratado pela imprensa como a maior força local em termos de estrutura.

No ano da pacificação é a seleção de Niterói quem conquista a Taça Nilo Peçanha, disputada pela última vez. Com duas conquistas contra uma, os campistas ganham a posse definitiva do troféu, planejado para ser disputado em três anos (o ano de 1916 não teve campeão)

Mais uma liga se afilia à Liga Sportiva Fluminense: a liga de Petrópolis.

1920
Campeão: Fluminense A.C.
(bairro: Icaraí)
Em 1920 o Fluminense torna-se o bi-campeão fluminense, em uma campanha mais difícil.

O tricolor da cidade, porém, sofre um baque. Em viagem à cidade de Campos o festejado campeão do Estado do Rio perde por expressivos 6 a 2 para o Americano de Campos (campeão campista), em disputa de taça amistosa. Jocosamente, os campistas se entitulam os “verdadeiros campeões do Estado”. O papel da “Divisão de Honra” começa a ser posta em cheque, e se discute a necessidade de uma disputa entre os campeões da Liga Sportiva Fluminense com os campeões de suas sub-ligas. Ou que pelo menos a Liga Sportiva Fluminense mudasse seus estatutos: embora permitisse inscrições de clubes de todo o estado, obrigava que os mesmos jogassem todas as partidas na capital. Com isso, no máximo clubes de São Gonçalo (caso do Neves) se aventuravam na Divisão de Honra.

A imprensa, por isso, passa a chamar a competição de “Campeonato de Nictheroy” quase que homogeneamente.

Mais duas afiliadas: as ligas de São Gonçalo e Bom Jesus do Itabapoana.

1921
Campeão: Barreto F.C.
(bairro: Barreto)
Em 1921 o Barreto F.C., o “Leão do Norte”, conquista seu primeiro campeonato fluminense. Os barretenses, da fábrica de fósforos Fiat Lux, foram campeões com uma grande campanha.

Uma curiosidade: por alguma razão jornais da década de 60 equivocadamente chamam o Canto do Rio de campeão de 1921, informação falsa que se espalhou pelos anos seguintes, aproveitando-se da não mais existência do Barreto.

O Canto do Rio sequer chegou perto do título, realizando uma (surpreendente) péssima campanha. O único título do clube no ano foi uma taça amistosa.

1922
Campeão: Byron F.C.
(bairro: Barreto)
O campeonato de 1922 revestiu-se de grande importância - como todos os campeonatos de 1922, por sinal. Motivo: o Centenário da Independência do Brasil.

Os cruzmaltinos do Byron tiveram o gosto de deixar o arquirrival Barreto para trás e ainda ganharam uma taça especial, em homeagem ao título supremo do Estado do Rio no ano do Centenário.

Infelizmente, a seleção do Estado do Rio que disputou o Brasileiro de Seleções deixou de fora muitos dos craques operários de Byron e Barreto, por questõs raciais bem conhecidas. Ao menos não tentaram excluir esses clubes…

1923
Campeão: Barreto F.C.
(bairro: Barreto)
O Barreto reconquistou em 1923 o título perdido em 1922. O vice foi o Byron. Nem é preciso dizer que nesse período a rivalidade entre os clubes estava em alta na imprensa. Revezando-se no pódio, a rivalidade entre Byron e Barreto passou a ser considerada a maior de Niterói e, até mesmo, do Estado do Rio.

Os jogos entre as equipes, sempre de casa cheia, eram a maior atração do bairro. As cartas dos leitores eram quase sempre de “barretenses” e “byronianos”, em meio a alguns tricolores e cantorrienses, com poemas e cartas engraçadinhas de provocação. Os dirigentes brigavam em público, e os clubes chegaram a cortar relações. Segundo os jornais, sequer se pronunciava o nome do rival, chamando-os sempre de “o outro grêmio”. O livro do Zizinho conta um pouco dessa história perdida. É uma pena que alguns clubes sumam…

1924
Campeão: Byron F.C.
(bairro: Barreto)
Continuando o revesamento do pódio, o Byron voltou a ser campeão fluminense. Desta vez, porém, o vice foi outro: o emergente Ypiranga F.C., futuramente um grande clube (da cidade).

Porém uma nova cisão estava por vir, que frearia a grande fase da dupla operária…

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 31 Ago 2009

Uniformes da Seleção Fluminense de Futebol

Como curiosidade:

Liga Sportiva Fluminense: Camisas listradas alviverdes, calções negros.

Associação Fluminense de Desportos Terrestres: Camisas brancas com faixa diagonal azul, calções brancos.

Associação Fluminense de Esportes Athleticos: Camisas brancas, calções na cor azul-marinho.

Federação Fluminense de Esportes: Camisas celestes, calções brancos.

Federação Fluminense de Desportos: Camisas brancas, calções azuis ou brancos.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonatos Históricos & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 31 Ago 2009

Lista atualizada e corrigida dos Campeonatos disputados em Niterói: parte II (1925-1933)

Continuando o artigo, faltou citar que de 1922 a 1924 a Liga Sportiva Fluminense possuía uma segunda divisão. Foram vencidas por Uruguay A.C. (1922) e o futuroso Fonseca A.C. (1923 e 1924).

1925
Campeão da LSF: Byron F.C.
(bairro: Barreto)
Campeão da AFEA: Serrano F.C. (de Petrópolis, bairro: Centro)
Já em fins de 1924 um movimento de clubes mostrava-se insatisfeito com o comando da Liga Sportiva Fluminense. A principal crítica: a LSF interessava-se tão somente pelo futebol da capital, mostrando-se alheia às necessidades do restante do estado. Além disso havia a “politicagem” que impedia que o Rio Cricket (que já fora filiado aos sports cariocas), Gragoatá e Sport Club Fluminense (esses últimos fortes clubes de regatas que, a exemplo de Flamengo e Vasco, queriam investir no futebol) concorressem. Confesso que não sei exatamente que “politicagem” era essa, talvez apenas restrições a clubes com estrutura e potencial.

Esses três junto ao Canto do Rio, Internacional (oriundo da segundona da LSF) e o petropolitano Serrano fundaram a Associação Fluminense de Esportes Athleticos, organizando um estatuto que garantia a todos os participantes o direito de jogar em sua cidade quando mandantes. Após a fundação a AFEA ainda ganhou a companhia do Fluminense A.C. e manifestações de apoio de outros clubes campistas e petropolitanos, que no entanto permaneceram na oficialidade da LSF.

A Liga Sportiva, em uma tentativa de recuperar o prestígio com o interior, decidiu recolocar em disputa o título de campeão fluminense de 1924! Os campeões das subligas Petropolitano e Campos se enfrentaram, com vitória dos primeiros, que enfrentariam o Byron em um jogo-extra para redefinir o campeão da LSF de 1924. Só que o Petropolitano pediu o adiamento da partida, a LSF não aceitou, e por W.O. o Byron continuou com o mesmo título que já tinha antes, em um episódio que transformou a LSF em piada.

Voltando aos campeonatos normais de 1925, a AFEA ganhou grande apoio da imprensa e sua competição correu de forma considerada brilhante. Serrano e Fluminense (o Athletico) terminaram empatados, e no jogo-extra o clube petropolitano goleou por 4 a 0, no campo do Rio Cricket, conquistando o I Campeonato Fluminense da nova entidade. Um livro histórico do Serrano, que conta a história do clube (tem na Biblioteca da UFF) narra a recepção dos heróis na cidade serrana, após uma conquista espetacular na cidade do adversário.

Na LSF o campeonato, um pouco ofuscado, também foi bem disputado, e mais uma vez os cruzmaltinos byroneanos levantaram o caneco. Com o racha, houve só uma divisão e o Fonseca, o alvinegro da Alameda, disputou pela primeira vez um campeonato “de primeira”.

Nesse ano surgiu mais uma sub-liga, a de Nova Friburgo.

1926
Campeão da FFD: não realizado ou Ypiranga F.C.?

Campeão niteroiense, da sub-liga ANDT: Ypiranga F.C. (bairro: São Lourenço)
Campeão da AFEA: S.C. ELite (bairro: Centro)
Em 1926 a Liga Sportiva Fluminense resolveu fazer direito o que tentara em 1925: transformar a disputa do título fluminense em uma disputa de campeões regionais. Em primeiro lugar a liga mudou de nome para Federação Fluminense de Desportos. Depois, criou uma sub-liga (na verdade um departamento na própria entidade) denominada Associação Nictheroyense de Desportos Terrestres, deslocando todos os clubes da capital que tinham filiação direta para a mesma. Depois, regulamentou: ao final da temporada, todos os campeões das sub-ligas regionais disputariam o título estadual, a exemplo de estados como o Rio Grande do Sul. Os jornais de Campos chegaram a comentar: “finalmente os clubs de Campos lucrarão um pouquinho com a cisão verificada no Estado. Os clubs da capital estão agora em condições de igualdade”…

Porém, com o abandono do Byron no meio do caminho a FFD se enfraqueceu e foi esvaziada. E em fins de 1926 já se discutia a substituição da mesma pela AFEA enquanto representante oficial do estado na CBD.

O Ypiranga não teve dificuldades em conquistar o campeonato da capital, mas a disputa dos campeões nunca seria realizada, pois a entidade estadual estava acéfala. Alguns resistentes ainda tentaram reerguer a entidade, reunindo de novo FFD e a ANDT na Liga SPortiva Fluminense, porém a AFEA foi reconhecida e as subligas do interior migraram para a nova dirigente oficial. Aí fica uma grande duvida: se só os disputantes da capital ficaram do lado da LSF, será que o Ypiranga chegou a ser declarado campeão do Estado? O clube é citado como campeão fluminense de 1926 no livro “História do Futebol no Brasil”, de Thomas Mazzoni. Porém, nada esclarecedor foi por mim encontrado.

Já o campeonato da AFEA foi mais uma vez emocionante. Dois clubes terminaram empatados: o novato S.C. Elite, da Rua da Conceição, e o Byron F.C.

No jogo-extra, o surpreendente Elite foi o campeão, repetindo a história do Parnahyba em 1916. Modesto, mal-visto pela imprensa, recheado de jogadores (e dessa vez até o presidente) cariocas, e acusado de amadorismo marrom (diferente do Parnahyba), o clube foi ganhando de mansinho, de mansinho, até o título máximo. E, como o Parnahyba, perderia o brilho na temporada seguinte e em pouco tempo sumiria dos gramados.

Curiosidades desse ano: o tradicional Guarany mudou de nome para São Bento.

1927
Campeão: G.R. Gragoatá
(bairro: Gragoatá)
O ano de 1927 prometia um grande desenvolvimento do esporte fluminense, com o reconhecimento da AFEA, que incorporou as sub-ligas da ex-rival. Porém, ao invés de mais clubes de outras cidades se inscreverem na divisão principal, o oposto ocorreu. O Friburgo chegou a se inscrever, mas deu para trás. E o Serrano resolveu voltar a disputar as competições de suas cidades. O motivo: embora o regulamento do mando de campo fosse justo, um campeonato de pontos corridos intermunicipal era dispendioso demais. E quanto mais clubes de múltiplas cidades se inscrevessem, pior…

Por essa razão, a divisão principal foi disputada apenas pelos niteroienses, e vencida pelo promissor Gragoatá, chamado de “os maçaricos”, clube de grande estrutura e tão vencedor no remo.

A tristeza do ano foi o abandono do Ararigboya F.C., que se recusou a disputar o novo campeonato e, enfraquecido, passou a disputar apenas amistosos até sumir.

1928
Campeão: Seleção de Niterói

Campeão da capital: Ypiranga F.C. ou Byron F.C.? (bairro: São Lourenço e Barreto)
Em 1928 a AFEA, em conjunto com os representantes das sub-ligas, tomou a decisão possivelmente mais equivocada o possível (minha opinião). Resolveram que, a exemplo do Campeonato Brasileiro, o título do estado passaria a ser disputado por seleções municipais, interrompendo uma história clubística que perturbaria para sempre a identidade do Campeonato Fluminense. Os torcedores, muito mais apaixonados por seus clubes do que por suas seleções municipais, se fechariam em regionalismos que no futuro prejudicariam até mesmo a instituição do futebol profissional, tornando os títulos municipais mais importantes do que o título do estado.

Disputado em pouquíssimas partidas eliminatórias, o Campeonato Fluminense de 1928 foi vencido (com facilidade) pela Seleção de Niterói, formado por jogadores da ANEA - sub-liga criada para abrigar os clubes de Niterói. Foram duas goleadas, 5 a 1 nos friburguenses na semifinal e 4 a 0 nos campistas na finalíssima.

No campeonato estritamente da capital, um mistério ainda não elucidado. Ypiranga e Byron terminaram empatados, e no jogo-extra o Ypiranga levou a melhor. Porém, com jogadores irregulares, o rubro-nergo viu o Byron ganhar os pontos do jogo-extra e ser declarado campeão de 1928.

Tudo bem, se não fosse o fato de que, após 1950, os jornais começam a listar o título de 1928 como sendo do Ypiranga, e não mais do Byron. Teria o Ypiranga reconquistado o título na justiça após mais de 20 anos? Ou apenas se aproveitaram de que o Byron não se profissionalizou em 1952 e largou o futebol e resolveram se considerar campeões “morais”, sem o Byron por perto para reclamar? Realmente não sei.

Uma curiosidade: a Associação dos Cronistas Desportivos do Estado do Rio criou uma Taça a ser disputada entre os campeões de Niterói e Campos, consideradas as ligas mais fortes, em uma tentativa de estimular a idéia das disputas de campeões regionais. O Rio Branco, porém, se recusou a enfrentar o Byron, em apoio ao Ypiranga.

1929
Campeão: Seleção de Niterói

Campeão da capital: Ypiranga F.C. (bairro: São Lourenço)
Em 1929 os niteroienses conquistaram o bi-campeonato estadual. Como no ano anterior, com a maioria dos jogadores do Ypiranga, entre eles Manoelzinho e Oscarino, que em 1930 seriam convocados para a Seleção Brasileira (únicos de um clube de Niterói).

Ypiranga, por sinal, que dessa vez não deu mole para o azar. Em uma campanha incrível, foi campeão niteroiense com rodadas de antecedência, pontos à frente de Fluminense e Barreto, os mais próximos, a ponto de várias rodadas terem sido abandonadas.

Foi talvez a fase mais vitoriosa de um clube de Niterói, que jogava de igual para igual com equipes de outros estados, chegando a golear o então forte São Cristóvão carioca por 11 gols (sim, era o time principal, o Raymundo Quadros confirmou) na inauguração dos refletores do seu estádio na Rua São Lourenço (Estádio Luso-Brasileiro). E pensar que hoje o clube é uma sede vazia e o Estádio derrubado em 1976 para a construção de… uma subestação de energia elétrica.

Para encerrar, o clube ainda conquistou a Taça dos Campeões de Niterói e Campos, coroando-se simbolicamente como o campeão do Estado (simbolicamente, pois não era uma disputa oficial).

1930
Campeão: Seleção de Niterói

Campeão da capital: Ypiranga F.C. e Fluminense A.C. (bairro: São Lourenço e Icaraí)
1930 foi um ano de dupla confusão.

No campeonato estadual de seleções, um favorecimento descarado quase provocou o abandono dos campistas da entidade.

Campos e Niterói chegaram à final, que pelo regulamento seria disputada em uma melhor de três. No primeiro jogo, e Niterói, vitória campista histórica por 4 a 2, e o título nas mãos. Porém, a AFEA mudou o regulamento, e decidiu que a segunda partida também seria disputada em Niterói (e não em Campos) e no caso de vitória niteroiense, não haveria mais um terceiro jogo, mas prorrogação.

Os campistas, ultrajados, sequer compareceram em campo, e os niteroienses foram os vencedores por WO. A liga de Niterói ficou tão envergonhada que recusou-se a receber o título. Porém, após uma assembléia, a vergonha foi deixada de lado e a “honra” aceita. Porém, tornou-se comum na imprensa fluminense lembrar-se de 1930 como um ano moralmente “sem campeão”. Moral à parte, houve sim um campeão, e foi Niterói.

Na capital, mais confusão. o Ypiranga liderava tranquilamente, até a liga niteroiense entrar em ebulição política. Vários clubes organizaram uma “parada geral” no campeonato, em protesto ao momento político na capital, entre eles o Ypiranga. Porém, alguns clubes “furaram a greve”, comparecendo a campo nas datas marcadas, e solicitando WO nos jogos contra os grevistas. Caso do Fluminense, que conseguiu passar o Ypiranga na tabela, sendo proclamado campeão pela liga, que deu o campeonato por encerrado.

O Ypiranga recorreu, é claro, e para ninguém reclamar deu os dois clubes como campeões. Fica a discussão: quem estava certo? O Ypiranga “papou mosca” ou o Fluminense foi desleal?

Com a discussão, a associação dos cronistas desistiu de dar continuidade ao projeto da Taça dos campeões. Uma pena.

1931
Campeão: Seleção de Niterói

Campeão da capital: Ypiranga F.C. (bairro: São Lourenço)
Em 1931, tudo mais ou menos igual aos últimos anos, mas sem confusão. Ypiranga e Seleção Niteroiense, mais uma vez, campeões, com a mesma base.

No campeonato de seleções, outra campanha de goleadas dos niteroienses: 5 a 2 nos friburguenses, e na melhor de três na final, 6 a1, 1 a 1 e 5 a 2 sobre os petropolitanos.

1932
Campeão: não houve

Campeão da capital: Fluminense A.C. (bairro: Icaraí)
Coube ao Fluminense, que rivalizou com o Ypiranga nos três últimos anos (vice em 1929 e 1931 e dividio em primeiro em 1930), tirar das mãos rubro-negras o título da capital. Foi uma campanha inquestionável, e dessa vez o Ypiranga não ficou nem em segundo: o vice coube ao Byron.

O Campeonato Fluminense de Seleções, por sua vez, foi cancelado. Com a cisão na liga de Campos, a entidade estadual precisou intervir na “Pérola do Paraíba” e adiou o campeonato de selecionados.

O ano de 1932 foi o último em que o Odeon, campeão fluminense de 1917, disputou algum campeonato.

1933
Campeão: não houve

Campeão da capital: Canto do Rio F.C. (bairro: Icaraí)
Em 1933 o Canto do Rio finalmente saboreou o título de campeão. O clube, grande vencedor de Torneios Início, Segundos Quadros e Taças Amistosas não ganhava justamente um campeonato principal. O clube, de fato, foi superior aos demais, e contou com a ajuda da briga da dupla Byron-Barreto. De relações cortadas, os clubes se recusavam a entrar nos campos um do outro, e com isso cada um perdeu um clássico por WO.

Os pontos, no fim, fizeram falta ao Byron, que se vencesse mais uma partida empataria com o Canto do Rio e forçaria um jogo-extra. O Byron ainda tentou mudar um resultado do clube celeste na justiça, tentando fazer valer o resultado de campo de um jogo em que o Canto do Rio perdeu para o Fonseca mas ganhou os pontos (jogador irregular). Mas foi inútil. Cuidasse de jogar suas partidas, talvez o Byron fosse o campeão de 1933.

Mas a grande novidade de 1933 foi a adoção do profissionalismo do Fluminense Athletico Club, acompanhado do gonçalense Tamoyo FC e de um tal Rio Branco F.C. (que desapareceria da mídia e nada tem a ver com o da década de 10, que nada mais era do que o atual Fluminense A.C.). Esses clubes fundariam a Liga Nictheroyense de Football, primeira liga profissional do estado, e com o apoio das ligas campista e petropolitana fundariam em Petrópolis a Federação Fluminense de Esportes, a entidade estadual profissional.

Por conta disso, não houve campeonato de seleções da AFEA.

As entidades profissionais do Estado e de Niterói não organizaram nenhum campeonato nesse ano, pois eram poucos os adeptos. Deu tempo de, às pressas, organizar uma seleção estadual para o brasileirão de 1933. Acabaram passando vergonha: uma derrota de 10 a 2 para os mineiros, contra quem os fluminenses tinham retrospecto positivo! (até então eram 4 vitórias fluminenses contra 2 mineiras)

Em 1934, porém, a FFE cresceria…

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & (SÃO PAULO) & Campeonatos Históricos Auriel de Almeida em 26 Ago 2009

Rio-São Paulo de 1964 e 1966: e se os critérios de desempate fossem os de hoje?

Que o empate quádruplo no Rio-SP de 1966 e a impossibilidade de realizar um “super” ajudou as competições nacionais a finalmente adotar os gols como critério de desempate, todo mundo já sabe.

Mas e se essas regras já valessem, qual afinal seriam os “campeões morais”?

Vejamos:

Torneio Roberto Gomes Pedrosa (”Rio-São Paulo”) de 1964
Disputado em turno único, ao final do mesmo apontou Botafogo e Santos empatados na primeira colocação, com 7 vitórias e 2 derrotas cada. O desempate seria em melhor de três pontos, e o Botafogo chegou a vencer o primeiro jogo por 3 a 2, precisando apenas de um empate no segundo jogo - que nunca ocorreu.

Mas e se os critérios atuais fossem adotados?

Com igual número de vitórias, a decisão seria por “goal average”. Ambos os clubes fizeram 21 gols. O Botafogo, porém, tinha a melhor defesa: 9 gols sofridos, contra 12 do Santos. O que faria d’O Glorioso, nos dias de hoje, campeão sozinho.

Torneio Roberto Gomes Pedrosa (”Rio-São Paulo”) de 1966
Com a mesma fórmula da edição de 1964, o Torneio Rio-São Paulo de 1966 apontou quatro clubes empatados na primeira colocação ao final do campeonato, curiosamente os quatro alvinegros da competição - Botafogo, Vasco, Corinthians e Santos. Com isso, seria necessária a realização de um “Supercampeonato”, que nunca aconteceu, preferindo a CBD proclamar os quatro campeões empatados.

Mas e se os critérios fossem os mesmos de hoje?

Primeiramente, Vasco e Corinthians tinham mais vitórias (5) do que Santos e Botafogo (4), que ficariam para trás.

Na disputa pelo saldo de gols, o Gigante da Colina venceria por pouco. Foram 12 gols feitos e 11 sofridos, com saldo um. O Corinthians teve melhor ataque: 15 gols. Porém, também sofreu 15, zerando o seu saldo.

O Vasco, nos dias de hoje, seria campeão, à frente de Corinthians, Botafogo e Santos, nessa ordem.

Mas como todos sabemos, o “se” não entra em campo, e o que está na história, está na história…

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) Auriel de Almeida em 26 Ago 2009

Olaria NÃO conquistou a Segunda Divisão em 1980

Dentre alguns equívocos comuns, está o de listar o Olaria como o campeão da segundona “da capital” de 1980. Na verdade, o clube da Rua Bariri “venceu” um “turno de rebaixamento”, parte integrante da primeira divisão, salvando-se da degola. Veremos as explicações a seguir:

Os clubes profissionais da cidade do Rio: apenas 12
O campeonato da cidade-estado da Guanabara, devido às suas proporções territoriais, era disputada em divisão única, pois eram apenas 12 os clubes profissionais existentes de 1965 a 1978: Bota, Fla, Flu, Vasco, America, Bangu, São Cristóvão, Portuguesa, Olaria, Madureira, Campo Grande e Bonsucesso.

A fusão Guanabara + Estado do Rio e a necessidade de uma divisão inferior
Com a fusão Guanabara + Rio, foram incluídos em 1978 os profissionais fluminenses Americano, Goytacaz, Niterói, Volta Redonda, Serrano e Flu-Nova Friburgo. Porém, haviam outros profissionais pelo interior fluminense, como Itaboraí, Costeira, Friburgo, Nalim etc., o que motivou a criação da chamada Divisão de Acesso do Interior. Foi estabelecido que o seu campeão e o seu vice subiriam de divisão, sem rebaixamento dos da divisão principal, constituíndo a divisão principal de 1979 em um total de 20 clubes, DESDE QUE fossem atentidas exigências relativas a campo e quadro social dos clubes credenciados.

Em 1978 foram campeões o Friburgo e vice o Costeira. Ambos correram atrás das exigências da FFERJ, mas falharam e foram deixados de fora da divisão principal. Em 1979 o (agora) Nova Friburgo venceu a segunda Divisão de Acesso do Interior, mas também não foi promovido.

Vale lembrar que todos os clubes profissionais da capital estavam na divisão principal, razão pela qual a Divisão de Acesso era apenas do Interior.

O enxugamento da Divisão Principal e a criação das três divisões em 1981
Planejando enxugar o campeonato para 1981 e criar três divisões, a FFERJ organizou o campeonato estadual de 1980 da seguinte forma:

Fase preliminar: (17 de Agosto)
Disputaram a mesma Olaria, Madureira, São Cristóvão, Portuguesa, Niterói, Volta Redonda e Friburguense (os sete piores do campeonato anterior). O Olaria foi o vencedor, seguido de Niterói e Voltaço que entraram na disputa da Taça João Baptista Coelho Netto (o Primeiro Turno) em pleno andamento (a mesma também começou em 17 de agosto). Os demais foram eliminados do campeonatos e jogados para o Grupo do Rebaixamento, a ser disputado em paralelo ao segundo turno.

Primeiro Turno: (17 de Agosto)
Disputado pelos onze melhores de 1979 (os quatro grandes + América, Bangu, Americano, Goytacaz, Serrano, Campo Grande e Bonsucesso) mais os três classificados da preliminar. Foi campeão da Taça João Baptista Coelho Netto o Fluminense. Os quatro últimos (Niterói, Bonsucesso, Olaria e Goytacaz) foram desclassificados e jogados para o Grupo do Rebaixamento, junto aos eliminados na fase preliminar.

Torneio de Acesso / Rebaixamento: (26 de outubro)
Disputado paralelamente ao segundo turno, deu ao vencedor a Taça Alfredo Curvelo. Olaria (vencedor) e Madureira conseguiram MANTER-SE na primeira divisão, os restantes foram rebaixados.

Segundo Turno: (26 de outubro)
Disputado pelos dez clubes restantes, valeu a Taça Gustavo de Carvalho, vencida pelo Vasco. Nesse turno ninguém foi excluído da primeira divisão.

A final entre os campeões dos turnos foi vencida pelo Fluminense.

A classificação final foi:
——————-
(finalistas)
1- Fluminense
2- Vasco
—————–
(disputantes dos dois turnos, pontos somados)
3- Flamengo
4- Bangu
5- Botafogo
6- Campo Grande
7- Serrano
8- Americano
9- America
10- Volta Redonda
————————
(disputantes por pontuação do turno de acesso)
11- Olaria
12- Madureira
13- Bonsucesso (rebaixado)
14- Portuguesa (rebaixada)
15- São Cristóvão (rebaixado)
16- Goytacaz (rebaixado)
17- Friburguense (rebaixado)
18- Niterói (rebaixado)

O único campeão de fato de uma Divisão inferior em 1980 foi o E.C. Costeira, campeão da Divisão de Acesso do Interior. Mas que com a reformulação das divisões em 1981 não subiria, de qualquer maneira, até pela estrutura precária, que resultaria no abandono do profissionalismo em 1981.

As três divisões de 1981
Na agora chamada de Primeira Divisão permaneceram os 12 melhores colocados de 1980.

Os exatos seis rebaixados foram os participantes da nova Segunda Divisão.

E os disputantes remanescentes da Divisão de Acesso do Interior compuseram a nova Terceira Divisão.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 24 Fev 2009

Byron F.C. - campeão fluminense de 1922

O campeonato de 1922 foi disputado em turno único, por conta do campeonato brasileiro e das comemorações do Centenário da Independência.

O Byron, campeão invicto e indiscutícel com apenas um empate em toda a campanha, passou a ser chamado de “campeão do centenário” (como todos os campeões de qualquer coisa nesse ano, aliás). O Barreto, que ficou com o vice, irritou-se com a vitória do arqui-rival e se recusou a entrar em campo após o título byroniano conquistado com tanta antecedência, e perdeu as últimas partidas por WO.

Turno único:

[Apr 2]
Fluminense 1-2 Guarany
America 2-3 Canto do Rio
Odeon 1-1 Ararigboya
Ypiranga 3-0 Neves

[Apr 9]
Byron 3-2 Nictheroyense

[Apr 16]
Fluminense 1-0 Ypiranga
America 0-0 Odeon
Nictheroyense 3-1 Neves
Byron 4-1 Canto do Rio

[Apr 23]
Ararigboya 2-3 Byron
Neves 0-0 Odeon
Fluminense 3-2 Nictheroyense
Barreto 4-2 America

[Apr 30]
Barreto 0-2 Byron
Ypiranga 2-0 Ararigboya
Canto do Rio 3-3 Neves
Guarany 3-3 Nictheroyense

[May 7]
Odeon 1-1 Guarany
Ararigboya 1-3 Nictheroyense
Ypiranga 0-1 Byron
Fluminense 3-2 America

[May 14]
Barreto 1-0 Ypiranga
Neves 3-3 Byron
Canto do Rio 2-5 Ararigboya
America 0-1 Guarany

[May 21]
Fluminense 2-3 Canto do Rio
Odeon 0-0 Barreto
Neves 5-1 America

[May 28]
Byron 3-0 Fluminense
Guarany 3-4 Barreto
Nictheroyense 2-2 Odeon

[Jun 6]
Odeon 2-1 Fluminense
America 0-1 Byron
Neves 0-1 Barreto
Canto do Rio 1-2 Nictheroyense

[Jun 11]
Ypiranga 3-0 Guarany
Canto do Rio 1-2 Barreto
Ararigboya 2-2 America

[Jun 18]
Neves 4-3 Fluminense
Odeon 3-1 Canto do Rio
America 0-4 Ypiranga

[Jun 25]
Byron 0-WO Odeon
Ararigboya 3-1 Fluminense
Nictheroyense 3-3 Ypiranga

[Jul 2]
Guarany 2-1 Canto do Rio
Ypiranga 0-2 Odeon

[Aug 8]
Barreto 3-1 Ararigboya

[Aug 13]
Ararigboya 1-3 Neves
Byron 3-0 Guarany
Nictheroyense 7-0 America

[Aug 20]
Canto do Rio 2-1 Ypiranga
Guarany 0-0 Ararigboya
Nictheroyense 0-WO Barreto

[Aug 27]
Barreto WO-0 Fluminense

[Sep 3]
Guarany WO-0 Neves

Classificação final:
1.Byron 10 9 1 0 23- 8 19 Champions
2.Barreto 10 6 1 3 15- 9 13
3.Nictheroyense 10 5 3 2 27-17 13
4.Odeon 10 3 6 1 11- 6 12
5.Neves 10 4 3 3 19-18 11
6.Ypiranga 10 4 1 5 16-10 9
7.Guarany 10 3 3 4 12-16 9
8.Fluminense 10 4 0 6 15-21 8
9.Canto do Rio 10 3 1 6 18-26 7
10.Ararigboya 10 2 3 5 16-20 7
11.America 10 0 2 8 9-30 2

Jogo do título:
BYRON 3 x 0 GUARANY
Campo da Rua Dr. March
Juiz: Affonso de Magalhães (Ypiranga)
Gols: Vabo, Carango e Lauro
Byron: Gonzaga; Coelho e Joãozinho; Napoleão, Laurindo e Julio; Vabo, Carango, Gorró, A. Netto e Lauro
Guarany: Velarino; Dé e Mariano; Siqueira, Cunha e Pinho; Rizio, Samuel, Waldetario, Nelson e Lulú

Melhor ataque:
Nictheroyense, 27 gols (2,7 por jogo)

Melhor defesa:
Odeon, 6 gols (0,6 por jogo)

Pior ataque:
America, 9 gols (0,9 por jogo)

Pior defesa:
America, 30 gols (3 por jogo)

Maior goleada:
O melhor ataque, Nictheroyense, sobre a pior defesa, America: 7 a 0.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 24 Fev 2009

Barreto F.C. - campeão fluminense de 1921

O campeonato da Liga Sportiva Fluminense, entidade oficial do Estado, foi disputado em turno e returno e conquistado pelo Barreto FC, que após o título passou a ser chamado de “Leão do Norte”. O Odeon foi o vice-campeão estadual. Foi o primeiro título de um clube com negros na Liga Sportiva Fluminense (o rival Byron fora campeão com negros em 1917, mas na rival Associação Fluminense de Desportos Terrestres).

Primeiro turno:
[Apr 24]
Fluminense 4-0 Guarany
Ypiranga 0-2 Barreto

[May 1]
Ararigboya 4-1 America (o America ganhou os pontos)
Byron 1-2 Nictheroyense

[May 3]
Canto do Rio 3-0 Neves
Odeon 2-0 Ypiranga

[May 8]
Neves 2-2 America
Nictheroyense 1-2 Fluminense

[May 13]
Barreto 1-0 Guarany
Ararigboya 2-4 Byron

[May 15]
Fluminense 5-0 Ypiranga
Odeon 2-0 Canto do Rio

[May 23]
Byron 1-0 Barreto
Nictheroyense 2-2 America

[May 29]
Neves 2-3 Odeon
Guarany 2-1 Canto do Rio

[Jun 12]
Fluminense 3-1 Canto do Rio
Neves 2-2 Guarany

[Jun 19]
Ararigboya 0-1 Odeon
Ypiranga 2-1 Nictheroyense (depois o Nictheroyense ganhou os pontos)
America 2-3 Byron

[Jun 26]
Ararigboya 1-0 Fluminense
America 2-0 Canto do Rio
Barreto 6-0 Neves

[Jul 3]
Guarany 1-3 Byron
America 2-3 Odeon
Barreto 3-0 Nictheroyense

[Jul 10]
Canto do Rio 0-1 Ararigboya
Ypiranga 0-1 Guarany

[Jul 17]
Fluminense 1-1 Odeon
Byron 6-0 Neves
America 1-3 Barreto

[Jul 24]
Canto do Rio 4-2 Nictheroyense
Ypiranga 0-1 Ararigboya

[Jul 31]
Guarany 1-1 Nictheroyense
Odeon 2-2 Byron
America 0-4 Fluminense

[Aug 7]
Canto do Rio 2-5 Barreto
Neves 0-3 Fluminense
America 2-1 Ypiranga

[Aug 14]
Ararigboya 2-3 Barreto
America 2-1 Guarany
Nictheroyense 1-1 Neves

[Aug 21]
Odeon 2-3 Guarany
Ypiranga 2-1 Byron
Ararigboya 2-1 Neves

[Aug 28]
Byron 3-1 Fluminense
Canto do Rio 2-5 Ypiranga
Nictheroyense 1-3 Odeon

[Sep 4]
Barreto 0-2 Odeon
Byron 5-1 Canto do Rio
Ararigboya 4-3 Guarany

[Sep 18]
Fluminense 2-1 Barreto
Neves 3-3 Ypiranga
Nictheroyense 2-1 Ararigboya

Segundo turno:

[Sep 25]
Guarany 0-3 Fluminense
Barreto 2-0 Ypiranga
America 0-2 Ararigboya

[Oct 2]
Guarany 1-2 Barreto
Nictheroyense 2-2 Byron
Neves 1-2 Canto do Rio

[Oct 9]
Canto do Rio 0-1 Odeon
Ypiranga 2-1 Fluminense
America 4-3 Nictheroyense

[Oct 16]
Byron 7-1 Ararigboya
Fluminense 3-1 Nictheroyense
America 0-3 Neves

[Oct 23]
Barreto 3-2 Byron
Ypiranga 2-0 Odeon
Guarany 1-1 Neves

[Oct 30]
Canto do Rio 0-3 Guarany
Byron 2-1 America
Odeon 3-1 Neves

[Nov 6]
Byron 3-1 Odeon
Canto do Rio 3-2 Fluminense
Nictheroyense 1-3 Ypiranga

[Nov 13]
Fluminense 2-2 Ararigboya
Nictheroyense 0-2 Barreto
Ypiranga 1-1 America

[Nov 20]
Byron 2-2 Guarany
Odeon 1-0 Ararigboya
Canto do Rio 3-1 America

[Nov 27]
Odeon 5-0 Fluminense
Neves 0-1 Barreto
Ararigboya 2-2 Canto do Rio

[Dec 4]
Barreto 3-2 America
Neves WO-0 Byron
Guarany 2-1 Ypiranga

[Dec 11]
Fluminense 0-1 America
Nictheroyense 2-1 Canto do Rio
Byron 4-1 Ypiranga

[Dec 18]
Odeon 1-1 America
Neves 2-1 Nictheroyense
Ararigboya 2-2 Ypiranga

[Dec 25]
Fluminense 2-1 Byron
Ypiranga 0-2 Canto do Rio
Nictheroyense 2-3 Guarany

[Jan 1/1922]
Guarany 2-2 America
Barreto 3-1 Canto do Rio
Neves 0-WO Ararigboya

[Jan 8/1922]
Guarany 2-1 Odeon
Barreto 1-1 Ararigboya
Ypiranga WO-0 Neves

[Jan 15/1922]
Odeon 2-1 Nictheroyense
Neves WO-0 Fluminense

[Jan 22/1922]
Canto do Rio 0-WO Byron
Odeon 1-0 Barreto

[Jan 29/1922]
Guarany 1-1 Ararigboya
Barreto 3-2 Fluminense

[Feb 5/1922]
Ararigboya 2-0 Nictheroyense

Colocação final:
1. Barreto 31 15 1 4 44-20 Champions
2. Odeon 29 13 3 4 37-21
3. Byron 27 12 3 5 52-26
4. Fluminense 24 11 2 7 40-26
5. Guarany 20 7 6 7 31-35
6. Ararigboya 19 7 5 8 27-30
7. America 17 6 5 9 27-39
8. Canto do Rio 15 7 1 12 28-43
9. Neves 13 4 5 11 19-39
Ypiranga 13 5 3 12 23-34
11. Nictheroyense 12 4 4 12 25-42

Artilheiros:
1) Thomaz (Byron) - 23 gols
2) Nelson (Barreto) - 14 gols
3) Demis (Barreto) - 13 gols

Melhor ataque:
Byron, 52 gols (2,6 por jogo)

Melhor defesa:
Barreto, 20 gols (1 por jogo)

Pior ataque:
Neves, 19 gols (0,9 por jogo)

Pior defesa:
Canto do Rio, 43 gols (2,1 por jogo)

Maiores goleadas:
Byron 7 a 1 no Ararigboya; em saldo de gols empatam as duas derrotas por 6 a 0 do Neves, de São Gonçalo, frente aos niteroienses Byron e Barreto.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 26 Jan 2009

ARTIGO DA SEMANA N°3/2008 Todos os clássicos do futebol em Niterói

Ao contrário de Campos, onde no decorrer da história Goytacaz e Americano se estabeleceram como o principal clássico local, o futebol de Niterói foi marcado por altos e baixos de clubes, e a mudança constante no posto de maior clássico local. Confiram os principais clássicos históricos da cidade:

Ararigboya versus Guarany
Quando: Décadas de 1910 e 1920
Situação atual: Extinto
Dois dos mais velhos clubes niteroienses, Guarany e Ararigboya eram grandes clubes na década de 1910 e eram vizinhos do bairro de Santa Rosa. O clássico entre os dois clubes era sempre chamado de “a mais antiga rivalidade da cidade”, num autêntico clássico vovô. Os confrontos entre o clube da camisa rubra (Guarany) e “os periquitos” (Ararigboya) dentro do campeonato niteroiense eram apelidados de “Campeonato de Santa Rosa”, pois quem conseguisse mais pontos no confronto direto era considerado o campeão do bairro por sua torcida.

Os dois clubes se tornaram apenas médios já na década de 20, mas o clássico continuou conceituado e respeitado. Perto do fim da década o Ararigboya não conseguiu manter o time e sumiu, deixando o agora São Bento (nome adotado pelo Guarany em 1926) sozinho, até seu fim, nos anos 40.

Byron versus Barreto
Quando: Décadas de 1910 a 1940
Situação atual: Extinto
Byron e Barreto, rivais do bairro operário do Barreto, se enfrentam em amistosos desde a década de 10, quando os clubes eram compostos por operários da fábrica de fósforos Fiat Lux (Barreto) e da fábrica de tecidos Manufatora (Byron, que não era exatamente um clube da fábrica, mas por alugar o seu terreno acabou atraindo os operários da mesma). Na década de 20, já considerados grandes clubes da cidade - ao lado dos elitistas Canto do Rio e Fluminense, com quem formavam o chamado “Grupo dos Quatro” - Byron e Barreto eram responsáveis pelos maiores públicos de Niterói e detinham, de longe, as maiores torcidas da cidade.

Zizinho, que jogava no Byron antes de se transferir para o Flamengo, dá uma palha sobre o que era o clássico em sua biografia, onde narra um dos inúmeros jogos de casa cheia entre as equipes.

Freqüentemente o jogo Byron x Barreto era considerado pela imprensa como o maior e mais empolgante clássico local, por seu apelo muito mais popular - o outro grande clássico, Canto do Rio versus Fluminense movia apenas o grupo mais seleto da sociedade.

O “Clássico da Zona Norte” teve fim em 1942, quando após o Barreto montar uma equipe caríssima e fora de sua realidade financeita para tentar se inscrever no Campeonato Carioca - o Canto do Rio foi escolhido no seu lugar - o “Leão do Norte” fechou as portas, cheio de dívidas. Com a morte do Barreto e do clássico entre eles, o Byron também perdeu importância e se apequenou, sem ter ninguém para dividir o espetáculo que movia o público da Zona Norte da cidade. Os cruzmaltinos ainda largaram o futebol nos anos 50, cheios de dívidas e expulsos da Rua Dr. March pela Cia. Manufatora (que montou um clube novo, o Manufatora A.C.). Após mais de 20 anos apenas como clube social, o Byron fechou as portas em 1978.

Canto do Rio versus Fluminense
Quando: Décadas de 1910 a 1960
Situação atual: Pode ser reativado
O chamado bairro “chic” de Icaraí viu nascer no começo da década de 1910 dois clubes que logo dividiriam a atenção da cidade: Canto do Rio e Rio Branco (que em 1916 mudaria de nome para Fluminense). Contudo, os dois clubes só se enfrentaram pela primeira vez em 1919, quando finalmente disputaram um campeonato de uma mesma liga. O confronto era aguardado com ansiedade pela imprensa e torcida da elite da cidade, pois finalmente os clubes prediletos de Icaraí iriam se enfrentar. O Fluminense venceu o primeiro confronto entre as equipes e naquele mesmo ano conquistou o campeonato da Liga Sportiva Fluminense.

O confronto ganhou o apelido de “Clássico da Zona Sul”, e os dois clubes se tornariam os prediletos das classes mais altas de Niterói. Ao lado de Byron e Barreto - os prediletos da classe operária - Canto do Rio e Fluminense faziam parte do “Grupo dos Quatro” da década de 20. Com a extinção dos clássicos Guarany x Ararigboya e Byron x Barreto passou a ser chamado também de “o mais velho clássico da cidade”.

O clássico perdeu um pouco de importância na década de 40, quando o Canto do Rio ingressou no Campeonato Carioca e passou a usar um time “B” no campeonato niteroiense, dando início a uma era em que o Canto do Rio se considerava “sem rivais” na cidade e a rivalidade sempre ficou mais do lado do adversário dos cantorrienses - mas continuou charmoso e bem-conceituado na imprensa.

O Fluminense enfraqueceu muito nos anos 50, quando passou sem títulos, até abandonar o futebol no começo dos anos 60. Será que algum dia o Fluminense monta uma equipe de futebol e o clássico volta a ser disputado? Depois de 40 anos, é muito difícil.

Barreto e Byron versus Fluminense e Canto do Rio
Quando: Décadas de 1910 a 1950 (contra o Barreto até 1940)
Situação atual: Extinto
Como seria natural de se esperar, os jogos entre os grandes da Zona Sul contra os grandes da Zona Norte também eram considerados clássicos. Byron x Fluminense, Canto do Rio x Barreto, Barreto x Fluminense e Byron x Canto do Rio realizaram grandes partidas na cidade.

Como curiosidade, alguns tabus: não importa o quanto o Barreto estivesse bem, ele quase sempre perdia para o Fluminense, no clássico de longe mais desequilibrado. Do outro lado, o Barreto se saía muito bem contra o Canto do Rio. Byron x Fluminense geralmente terminava em confusão, e as torcidas de Canto do Rio e Barreto eram muito amigas, talvez pela semelhança das cores.

Ypiranga versus Niteroiense
Quando: Décadas de 1920 a 1960
Situação atual: Extinto
Quando em fins da década de 20 o Ypiranga se tornou o “quinto” grande da cidade, a imprensa logo tratou de arrumar um rival para ele, e passaram a chamar o jogo contra o médio Niteroiense de “Clássico do Centro”, pois eram clubes da região central da cidade. Na carona, o Niteroiense era até mesmo incluído no agora chamado “Grupo dos Seis”.

Porém, o Niteroiense sempre se mostrou mais frágil e pouquíssimo popular em termos de torcida, e logo esse clássico passou a ser desconsiderado como realmente importante. Os clubes se enfrentaram até os anos 60, e por vezes se comentava que o jogo tinha uma certa rivalidade a mais, mas foi um clássico que pouco empolgou. O Niteroiense acabou em 1980, e o Ypiranga hoje é um clube abandonado e juridicamente extinto.

Ypiranga versus Canto do Rio, Fluminense, Byron e Barreto
Quando: Décadas de 1920 a 1960 (contra Barreto até 1940 e Byron até 1950)
Situação atual: Extinto
Quando se tornou um grande clube, naturalmente os confrontos do Ypiranga com os outros grandes tornaram-se clássicos.

O destaque fica com o jogo Ypiranga x Byron, presença constante nas finais dos anos 20 e 30. Dizia-se que quando um dos dois era campeão, geralmente o outro fora o vice.

O clássico Ypiranga x Fluminense também teve grande importância, principalmente por conta do caso de 1930 (quando os clubes dividiram o título) e as constantes brigas em campo.

Fonseca versus Ypiranga
Quando: Década de 1910 e depois décadas de 1930 a 1960
Situação atual: Extinto
Na década de 1910 Fonseca e Ypiranga eram os dois clubes principais do bairro Fonseca, e se enfrentavam apenas em amistosos. Na década de 20, porém, o Ypiranga se tornou um clube mais expressivo e se mudou para São Lourenço, acabando com o clássico.

Em fins da década de 30, no entanto, o Fonseca se tornou um grande clube e a rivalidade entre os dois voltou a se acender - com o Fonseca inclusive tomando o lugar do Niteroiense como o “sexto grande”.

Nos anos 50 e 60 a rivalidade foi fortíssima, e com o enfraquecimento do Fluminense, sumiço de Byron e Barreto e a presença do Canto do Rio apenas com um time “B” no campeonato da cidade o jogo entre Ypiranga e Fonseca era muitas vezes tratado como o maior clássico da cidade dessas duas décadas. E, não à toa, foram os clubes que mais conquistaram títulos niteroienses.

Canto do Rio versus Fonseca
Quando: Décadas de 1930 a 1960
Situação atual: Pode ser reativado
A ascensão do Fonseca coincidiu com a ida do Canto do Rio para o Campeonato Carioca e a utilização de times “B” no campeonato niteroiense. Mas em uma era em que o Canto do Rio se considerava “sem rivais”, e que todos os demais clubes rivalizavam com o Canto do Rio (o “primo rico” da cidade) foi curioso o desenvolvimento de uma rivalidade que era maior extra-campo do que no limite das quatro linhas, entre Fonseca e Canto do Rio.

Quando o Fonseca liderou o retorno ao profissionalismo em 1952, os dirigentes do Canto do Rio ficaram preocupados - afinal, corriam o risco de perder a “licença especial” no Campeonato Carioca e tornar a disputar o Campeonato Niteroiense/Fluminense. Por muitas vezes foi dito que se era assim o Canto do Rio preferia fechar o departamento de futebol a disputar um campeonato deficitário, causando mal-estar entre os clubes.

O Canto do Rio conseguiu continuar no Campeonato Carioca, mas o Fonseca conseguiu aumentar sua expressão na cidade consolidando-se como o maior clube niteroiense a disputar os campeonatos do lado niteroiense da baía. E então a cidade se viu com dois grandes clubes representanto lados diferentes - o Canto do Rio representando o lado niteroiense totalmente incorporado à realidade carioca, e o Fonseca representando o lado resistente à “carioquização” que os niteroienses sofriam há tempos. Como resutado, as duas torcidas tornaram-se rivais e os jogos entre os clubes bastante tensos.

Não é preciso dizer que o lado da carioquização do niteroiense venceu - e não foi nem através do Canto do Rio, pois os dois clubes entraram em decadência no mesmo ano (1965) - o Canto do Rio foi expulso do Campeonato Carioca e o Fonseca fechou o departamento de futebol. Aos niteroienses restou torcer apenas para os clubes cariocas mesmo, com o Canto do Rio de segundo time e olha lá.

Fonseca versus Manufatora
Quando: Fim da década de 50
Situação atual: Extinto
Embora nunca fosse considerado um clube “grande”, os jogos decisivos do Manufatora com o Fonseca no fim dos anos 50 serviram para transformar esse jogo em um pequeno clássico, ou ao menos em um jogo de muita rivalidade. Porém, a duração foi muito curta - não chegou a uma década.

Manufatora versus Costeira
Quando: Décadas de 1960 e 1970
Situação atual: Extinto
Os dois clubes profissionais dos anos 70 se tornaram grandes rivais, graças à seguidas confusões em campo nos jogos entre as equipes. A imprensa niteroiense, então, tentou investir na imagem desses clubes enquanto rivais da cidade. Porém, foi uma rivalidade limitada aos sócios dos dois clubes, já que à essa altura o público de Niterói já não tinha interesse nenhum por esses dois clubes.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 20 Jan 2009

A história da Taça Cidade de Campos e da Taça Cidade de Niterói

Em 1956 a Federação Fluminense de Desportos criou a Divisão Extra de Profissionais (não confundir com o Departamento Estadual de Profissionais), que deu início ao Campeonato Fluminense dividido em zonas regionais, que ao mesmo tempo valiam como títulos regionais e chaves de classificação para a disputa do título estadual profissional.

As duas ligas municipais profissionais, Niterói e Campos, tiveram que se adaptar à nova ordem do esporte fluminense.

A liga de Niterói, que oficialmente era um departamento instalado na federação (o Departamento Niteroiense de Futebol) foi transformado na Quarta Zona de Profissionais, apelidada de Zona Centro. Como a base era a mesma do DNF, com eventuais clubes de outras cidades (como o Serrano, em 56, ou dois clubes de São Gonçalo em 59) o campeonato do centro continuou a, naturalmente, corresponder ao campeonato de profissionais de Niterói.

A liga de Campos não sofreu grandes alterações. Com a ausência de quaisquer outro clube profissional (ou em vias de se profissionalizar) em todo o norte fluminense além dos campistas, a Liga Campista de Desportos conseguiu uma licença especial para representar a Quinta Zona de Profissionais, ou Zona Norte. Assim a Liga Campista continuou organizando o seu campeonato, ao invés de seus clubes passarem a ser controlados diretamente pela federação estadual. Alguns problemas surgiriam dessa independência, como o constante atraso da Zona Norte, que nunca terminava junto com as outras zonas, levando o título fluminense a ser disputado várias vezes no meio da temporada seguinte.

Em 1968 a Zona Norte mudou, com a criação da Taça Cidade de Campos. Disputada logo após o término do Campeonato Campista, o “Tação” reunía os melhores colocados do campeonato do ano anterior, uma espécie de “campeonato extra”, e passou a representar a Zona Norte no lugar do Campeonato Campista.

Uma das confusões comuns geradas pela Taça de Campos era o fato de que, da mesma forma que a fase final do Campeonato Estadual, a Taça era inteiramente disputada em uma temporada mas equivalia oficialmente à temporada anterior. Exemplo: o campeonato campista de 1968 acabou apenas em 1969, fazendo com que a I Taça Cidade de Campos (disputada logo a seguir, em continuidade à temporada de 68) fosse disputada inteiramente em 1969. O Americano, o primeiro campeão, era oficialmente o campeão de 1968, mas é comum listas mostrarem o clube como campeão de 69.

A Zona Centro deixou de ser disputada em 1965, quando os principais clubes de Niterói roeram a corda e abandonaram o profissionalismo. Porém clubes como o Cruzeiro, Manufatora e o Canto do Rio (expulso do campeonato carioca) continuaram profissionais, mas por não conseguirem formar um campeonato inteiramente profissional tiveram que se contentar com o regime misto, reorganizando o Departamento Niteroiense. A partir daí o campeonato de Niterói misturava clubes profissionais a clubes amadores, o que para a Federação Fluminense não era suficiente para representação de uma zona.

Em 1974, liderados pelo Tiradentes, os clubes de Niterói resolveram organizar uma Taça apenas com os clubes profissionais, que seria curta mas permitiria o retorno da capital na competição estadual. A idéia da Taça, porém, foi um sucesso, e foi aberta a outras cidades, tornando a zona maior do que se esperava.

Em 1975, porém, as zonas degringolaram, com a empolgação pela fusão que se aproximada - fusão essa frustrada, pois as federações acabariam se juntando apenas em 1978.

A temporada de 1975 foi considerada pela Federação como perdida em termos de calendário, e a federação não organizou zonas nesse ano sob essa alegação, voltando o campeonato campista a ser o indicador do campeão da temporada. A mídia fluminense acusou a federação de má-vontade, pois havia espaço sim para a organização de zonas (a Taça cidade de Niterói de 74 fora disputada na virada de um ano para outro) e alguns apontaram a atitude como benefício ao futebol de Campos. Em resposta, a federação adiantou o calendário de 1976, quando tanto as zonas quanto a fase final finalmente foram disputadas e concluídas no mesmo ano, usando a temporada de 1975 como “ponte” para esse ajuste.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonatos Históricos & Jogos Históricos & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 17 Dez 2008

A Seleção Fluminense de Futebol: o campeonato brasileiro de 1922 e o racismo

Em 1922 foi disputado, pela primeira vez, o Campeonato Brasileiro de Seleções estaduais. E um dos participantes foi o Estado do Rio - separado da cidade do Rio, à época Distrito Federal e com seleção e liga próprias - através da liga local, a Liga Sportiva Fluminense.

Como toda liga estadual, a Liga Sportiva Fluminense foi formada na capital (Niterói), e o campeonato fluminense era disputado majoritariamente por clubes niteroienses.

Porém, em um caso parecido com o Piauí (ou até mesmo Minas Gerais, segundo algumas fontes) havia uma liga no interior tão forte quanto a da capital, que era a Liga de Campos, sub-liga da Liga Fluminense. Com isso, a divisão principal da Liga Fluminense era comumente tratada apenas como um campeonato de Niterói, e a queda-de-braço Niterói x Campos foi uma constante durante toda a história do futebol fluminense, com os campistas por mais de uma vez cogitando a fundação de uma entidade estadual paralela - crise solucionada em 1928 com a criação de uma sub-liga niteroiense e a substituição dos clubes por seleções na divisão principal.

Para a formação do selecionado, a briga política entre as cidades era imensa. A Liga Sportiva Fluminense, então, organizou duas disputas amistosas, uma entre os selecionados de Campos e Niterói, para decidir qual centro cederia mais jogadores, e uma entre os selecionados de São Gonçalo e Petrópolis, outras sub-ligas consideradas fortes, para selecionar eventuais elementos que se destacassem.

A seleção niteroiense foi duramente criticada pelos jornais, por critérios raciais. Os dois clubes mais fortes de Niterói na ocasião eram, de longe, Byron e Barreto. No entanto, por serem grêmios operários, eram formados por atletas negros e pobres, que foram deixados de lado.

Ao contrário do que aconteceria no campeonato carioca, não houve empecilho de que esses clubes disputassem ou fossem até mesmo campeões fluminenses com atletas negros como foram (antecipando o caso do Vasco em 1923), mas ceder atletas ao selecionado já era considerado “demais” para os racistas.

Os outros grandes da cidade, Fluminense e Canto do Rio, times de Icaraí, serviram de base da seleção niteroiense e estavam com times fracos nesse ano. Completaram a seleção elementos de destaque dos médios Ypiranga (à época médio), Ararigboya, Odeon e Guarany, todos times de brancos.

A seleção campista foi na verdade um combinado Goyta-Cano, e se houve crítica a ausência de jogadores do Campos AA - outro time com negros (e campeão campista com atletas negros já em 1918) - a seleção foi bem mais representada, já que Goyta e Cano eram de fato os mais fortes da cidade.

Com a vitória da seleção campista por 4 a 2, a entidade estadual resolveu que a seleção teria 7 campistas e 4 niteroienses no time titular, sem nenhum gonçalense ou petropolitano (que empataram em 1 a 1 num jogo considerado fraquíssimo).

A seleção que enfrentou os cariocas na fase eliminatória, segundo o jornal O Estado, de Niterói (órgão oficial da Liga Sportiva Fluminense):

- Cleveland (Americano); Luiz (Goytacaz) e Soda (Americano); Vicente (Goytacaz), Malvino (Goytacaz) e Seraphim (Fluminense); Waldetario (Guarany), Rola (Odeon), Antoninho (Americano), Mário Seixas (Americano) e Manoelzinho (Ypiranga).

Segundo o jornal, os cariocas passaram a semana dizendo que venceriam por 13 a zero, mas encontraram jogo duro. Os fluminenses tiveram azar, pois perderam um pênalti e um dos gols cariocas foi um frango do (considerado bom) goleiro Cleveland, que aceitou uma bola fraca entre as pernas. O jogo terminou em 2 a 0 para os cariocas, gols de Nilo (do Botafogo), e a seleção fluminense (que poderia ter empatado não fossem as duas falhas individuais) foi eliminada.

Ficou o lamento de que a seleção poderia ter almejado mais, caso aproveitasse os “colored” de Barreto e Byron, dupla que entre 1921 e 1925 conquistou todos os títulos da Liga Sportiva Fluminense.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonatos Históricos Auriel de Almeida em 01 Dez 2008

Campeonato Carioca de Amadores: a resistência ao profissionalismo

A década de 30 foi marcada, em vários estados, pela disputa profissionalismo versus amadorismo, que culminou com a vitória profissionalista no fim da década.

No antigo Distrito Federal, cidade do Rio de Janeiro, não foi diferente.

Em 1933 a Liga Carioca de Football, profissional, foi fundada, permanecendo a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos, a entidade oficial e filiada à CBD, amadora - a CBD proibía o profissionalismo. Nesse ano foram disputados dois campeonatos, tendo como campeões o Bangu na LCF, primeiro campeão profissional carioca, e o Botafogo na AMEA, campeão amador e oficial perante a CBD.

A situação permaneceu a mesma em 1934, com o Botafogo campeão amador e o Vasco campeão profissional, mas em 1935 a CBD finalmente aceitou o profissionalismo.

No entanto, por questões políticas, a pacificação e a fusão das entidades rivais não foi alcançada. A Federação Metropolitana de Football foi fundada no lugar da AMEA e organizou o primeiro campeonato carioca profissional oficial perante a CBD, enquanto a LCF continuou o seu campeonato também profissional ao lado da FBF, a antiga rival da CBD. Em 1935 e 1936 foram dois campeonatos profissionais, tendo como campeões Botafogo e Vasco (agora do lado da CBD após briga com a LCF) na FMD e America e Fluminense na LCF.

Em 1937, finalmente, a pacificação: FMD e LCF se fundiram na LFRJ, agora a única federação de futebol do Distrito Federal. Nesse ano o Fluminense foi o campeão da unificação (com o adendo que antes da fusão o campeonato da FMD chegou a começar, com o primeiro turno completo e o São Cristóvão campeão deste e já classificado para a final. Hoje o São Cri-Cri pleiteia o reconhecimento desse campeonato como de turno único e o título da FMD desse ano).

No entanto, embora em 35 e 36 os campeonatos tenham sido todos profissionais, alguns jogadores ainda se recusavam a receber para jogar, e defendiam o amadorismo. Para estes, foi criado o campeonato de amadores, disputado não só pelos quadros de amadores dos clubes que também disputavam o profissional (incluindo aí todos os grandes) como ás vezes também por clubes que ainda eram amadores, como o Ideal e o Ruy Barbosa.

O Vasco foi o “primeiro” campeão da resistência amadorista, em 1937. Os campeões:

1937 - Vasco
1938 - Fluminense
1939 - Madureira
1940 - América
1941 - Vasco
1942 - Botafogo
1943 - Botafogo
1944 - Botafogo

Algumas fontes antigas chegaram a contabilizar esses títulos junto com os outros, que nós conhecemos. Geralmente essas fontes listavam os campeões amadores e profissionais separados, incluindo os campeões da resistência ao lado dos títulos amadores de 1906 a 1934.

Porém a maioria preferia considerar que a partir do momento em que o clube tinha um quadro profissional, este era o principal, sendo o quadro de amadores secundário. Essa visão prevaleceu com a estabilização definitiva do profissionalismo e a extinção do campeonato amador em 1945. Mas é aquela coisa, cada um tem a sua opinião.

Recentemente o jogador Tovar, tricampeão amador pelo Botafogo, faleceu. E o GloboEsporte.com, ao citar o título, infelizmente se equivocou e disse que a resistência amadorista equivale à categoria de juniores atual (!!!). Um absurdo sem tamanho, uma coisa não tem nada a ver com a outra, era campeonato de adultos, apenas eram amadores e jogavam por amor ao clube. Os juniores atuais eram os juvenis, já disputados nessa época, e em 42-43-44 os campeões foram Flamengo (42 e 43) e Vasco.

Da mesma forma alguns confundem o “amador” com o campeonato de “aspirantes” ou “reservas”. Essa é outra visão equivocada, pois esses dois últimos eram campeonatos à parte e também disputados na mesma época, destinados como o próprio nome deixa claro aos jogadores que sonhavam com uma vaga no quadro profissional. Nada a ver com a resistência amadora, jogadores que NÃO desejavam tomar parte de disputas profissionalistas.

A título de curiosidade, com essas conquistas somadas o Fluminense ficaria novamente à frente do Flamengo, pulando para 31 conquistas.

Historia do Futebol Parte II & Artigos-Auriel de Almeida & (RIO DE JANEIRO) & Campeonato Fluminense Auriel de Almeida em 24 Nov 2008

Mistério do título fluminense de 1957… Adrianino campeão?

Olá, amigos

O campeonato fluminense de 1957, conforme pude observar nas primeiras pesquisas, não terminou em campo. Foi o segundo ano da Divisão Departamental de Profissionais (ou Divisão Extra de Profissionais, em algumas fontes), em que cada região representava uma zona e o título de campeão estadual era decidido pelos campeões de cada.

Nesse ano foram quatro zonas disputadas na primeira fase:

1ª e 2ª Zonas - clubes do sul-fluminense (nesse ano essas zonas se misturaram)
Adrianino Atlético Clube (Eng. Paulo de Frontin)
Frigorífico Atlético Clube (Mendes)
Guarani Esporte Clube (Volta Redonda)
Resende Futebol Clube (Resende)
Riachuelo Esporte Clube (Paraíba do Sul)

3ª Zona - clubes da baixada fluminense
Grêmio Esportivo Fábrica da Estrela (Magé)
Fazenda Futebol Clube (São João de Meriti)
Nacional Futebol Clube (Duque de Caxias)
São Pedro Futebol Clube (São João de Meriti)

4ª Zona - clubes da capital e redondezas (representado pelo campeonato de Niterói)
Cruzeiro Futebol Clube
Fonseca Atlético Clube
Manufatora Atlético Clube
Niteroiense Football Club
Ypiranga Futebol Clube

5ª Zona - clubes do norte-fluminense (representado pelo campeonato de Campos)
Americano Futebol Clube
Campos Atlético Associação
Goytacaz Futebol Clube
Municipal Futebol Clube
Clube Esportivo Rio Branco
Esporte Clube São José

Terminados os campeonatos das primeiras zonas (vencidos por Adrianino, Nacional e Fonseca) a zona de Campos estava mais uma vez atrasada, o que motivou a não-realização da fase final em 1956. Para fugir de um novo atraso, e o consequente congestionamento do calendário, a Federação Fluminense de Desportos decidiu classificar o campeão campista como “bye” na final e realizar a fase semifinal entre os três campeões já definidos, Adrianino, Fonseca e Nacional.

Os jogos:
Adrianino 4-4 Nacional
Fonseca 1-1 Adrianino
Nacional 2-1 Fonseca
Nacional 1-1 Adrianino
Adrianino 4-2 Fonseca
Fonseca 0-0 Adrianino

Terminando empatados, Adrianino e Nacional teriam que fazer uma melhor-de-três pela vaga na final.

Enquanto isso, no mesmo dia em que o desempate da semifinal era programado a já desesperada FFD, com a não-definição do campeão campista, resolveu em caráter de urgência inscrever o Campos Atlético Associação, o campeão do ano anterior, na final no lugar do futuro campeão, em virtude do atraso irremediável da zona norte.

Assim, com o Campos já na final a equipe “roxinha” começou intensos preparativos pelo título estadual, conforme noticiado pelo jornal “Monitor Campista”, a ser disputado tão logo o desempate entre Adrianino e Nacional fosse realizado.

Contudo, a FFD no dia do jogo suspendeu o Nacional por falta de pagamento nas taxas de transferências entre atletas, e declarou o Adrianino vencedor por WO, e classificado para a final. A mídia (caso de “O Estado”, de Niterói) acusou a Federação de dar uma volta no clube caxiense, usando o tal atraso (que poderia ser resolvido de forma mais digna) como desculpa para agilizar o fim da temporada de 1957 e adiantar logo a realização da final, cancelando a “melhor-de-três”.

O tiro saiu pela culatra. O Nacional acionou a justiça desportiva e o caso ficou nas mãos do tribunal. O Campos seguiu treinando, segundo o “Monitor Campista” acompanhava, à espera de seu adversário, que poderia ser definido a qualquer momento.

O tempo passou e nada foi resolvido. Em abril o Campos, segundo o “Monitor Campista” noticiou, comunicou oficialmente sua desistência da final, deixando o título fluminense nas mãos do vencedor da briga Adrianino x Nacional. Nunca encontrei o resultado dessa pendenga judicial.

Posteriormente, anos após a confusão, já vi listas de campeões fluminenses atribuírem o título de 1957 ao Adrianino. Será que o alvi-celeste venceu a briga na justiça? É algo a se descobrir…