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Historia do Futebol Parte II Gilvanir Alves em 29 Set 2009

‘QUE ÓTIMO ESPORTE, QUE JOGUINHO BOM’.

charles - charles

Nasci a 24 de novembro de 1874 à rua Monsenhor Andrade, em casa de meus avós maternos. Em junho de 1884, após concluir meus estudos preliminares, segui para a Inglaterra, a fim de completar minha educação. Tinha então 9 anos. Em 1893, com 19 anos, estreei como centroavante em uma seleção do condado de Hampshire. Joguei contra o famoso Corinthians. Eram meados 1894, fixei-me em minha terra natal – São Paulo. Realizamos o primeiro ensaio em terras brasileiras no ano de 1895. Precisamente na Várzea do Carmo, nas proximidades da rua do Gasômetro e da rua Santa Rosa. Para isso, reuni um grupo de ingleses da Companhia de Gás, London Bank e S.P.R. é interessante lembrar que essa primeira tentativa foi efetuada com a bola do jogo disputado em 1894, que me fora presenteada por um companheiro de selecionado, que mais tarde presidiu a Liga de Futebol da Inglaterra. Na Chácara Dully – hoje o bairro do Bom Retiro -, foram realizados diversos prélio, todos assistidos com grande interesse. Para o primeiro jogo interestadual solicitei dos jornais de então que dessem curso à noticia. Pois a resposta, de três deles, foi uma só: “Não nos interessa o assunto”.
Logo que nos sentimos mais traquejados e que o número de praticantes do jogo havia crescido convoquei a turma para o primeiro cortejo regulamentar: “The Team do Gaz”, que era integrado por empregados daquela companhia, contra “The S.P. Railway Team”, formado de funcionários da ferrovia. Foi isso a 14 ou 15 de abril de 1895. Ao chegar em campo, a primeira tarefa que realizamos foi enxotar do mesmo os animais da C. Viação Paulista, que ali pastavam. Logo depois iniciávamos nosso jogo, que transcorreu interessante, sendo que alguns dos companheiros jogaram mesmo de calças, por falta de uniforme adequado. Vencemos os S.P. Railway, por 4 a 2, entre os quais eu formava. Quando deixamos o campo já estava assumido o compromisso de promovermos um segundo jogo, sendo que a exclamação geral foi esta: “Que ótimo esporte, que joguinho bom”.

Fonte: o depoimento foi concedido por Charles Miller à “A Gazeta Esportiva” em 1942.

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