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Historia do Futebol Parte II Gilvanir Alves em 30 Jun 2009

JUNIOR: MAIOR FESTA DO MUNDO:

O dia que o mengão acabou com a banca dos ingleses do Liverpool e trouxe de volta para o Brasil a taça do Mundial Interclubes, nas palavras de um dos maiores ídolos da historia do rubro-negro.
“O time do Liverpool chegou a Tóquio, para a decisão do Mundial Interclube de 1981, cheio de pose. Haviam sido papões do futebol europeu no final dos anos 70 e acabava de conquistar a Copa dos Campeões, o principal torneio do continente. Ano após ano, mais troféu entrava na galeria do clube. Talvez por isso forma para o Japão sem preocupação. Pior menosprezaram o Flamengo e debocharam dos mínimos detalhes da nossa preparação. Estavam de terno e gravata e nos, como era habito no Brasil, trajávamos agasalhos. Os jogadores ingleses, por isso, olhavam-nos por cima, sem a menor cordialidade.
Aquilo me deixou muito chateado. Tínhamos que mostrar nosso valor. Afinal, já éramos campeões da Libertadores e o flamengo tinha um grande esquadrão: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e eu; Andrade,Adílio e Zico; Tita Nunes e Lico. E nossos futuros adversários não paravam de brincar. Quando passamos pelo saguão do hotel com os nossos instrumentos musicais, para fazer um grande pagode, lá estavam eles, outra vez. Rindo da gente! Fazendo comentários irônicos. Nem quando nos reunimos para uma oração, um costume antes de todos os jogos, eles nos pouparam. Debocharam mais uma vez. Apenas eu e Mozer percebemos esse detalhe fiz questão de alertar a todos. “Olha lá pessoal! Estão fazendo pouco da gente. Vamos mostrar que não vai ser tão fácil quanto imaginam”.Aquele desrespeito, afinal, tinha que acabar. E melhor seria se isso acontecesse dentro de campo.
Era difícil, porem, saber se a raiva seria estimulo ou se atrapalharia. Precisávamos fazer com que os mais jovens entrassem em campo tranqüilos. Havia a tensão normal das decisões. E os jogadores do Liverpool haviam nos deixados enfurecidos. A missão de não permitir que a raiva atrapalhasse o desempenho de cada atleta cabia aos craques mais experientes, como Zico e Raul, e ao técnico Paulo César Carpegiani. Graças a Deus conseguiram evitar que o nervosismo nos prejudicasse e todos foram para a partida extremamente calmos.
Mesmo assim eu ainda enfrentava um problema. Estava fortemente machucado. A contusão no joelho esquerdo surgira na decisão do Campeonato Carioca, contra o Vasco, e não seria curada com tratamentos convencionais. Então, aproveitando o fato de estar no Japão, recorri as sessões de acupuntura. O Carlinhos, um jogador brasileiro que atuava por lá, me indicou um especialista. Não foi fácil, mas o japonês me auxiliou demais. Fiquei fazendo tratamento até duas horas da madrugada do dia da partida, que começaria ao meio-dia. As dores, no entanto, passaram e pude jogar.
E ai começou o show! O ódio que sentíamos, em vez de atrapalhar, nos ajudou. Era tão grande o nosso desejo de vitória que, em 45 minutos, o time do Flamengo massacrou o Liverpool e acabou com o jogo. Foi uma lição de bom futebol. Primeiro o Nunes foi lançado em velocidade e tocou na saída do goleiro. Com treze minutos, ganhávamos por 1x0. Depois, foi a vez de Adílio aproveitar o rebote de uma falta cobrada por Zico e aumentar. Em 33 minutos, o baile estava em 2x0. O Nunes ainda fez mais um no primeiro tempo e saímos de campo, no intervalo, com 3x0. Os ingleses pararam de nos incomodar rapidinho. Não tinham mais moral para isso.
De quebra, deixaram o campo no intervalo de boca aberta com ao que haviam acabado de assistir. Não tinham como reagir. Tanto que no segundo tempo não tentaram nenhuma agressão. Nenhuma falta violenta. Nada. Ficaram nos assistindo tocar a bola. Com o jogo ganho, tratamos de ficar quietos e também não tentamos humilhá-los. Para que precisaríamos cair nos mesmo erro deles? O comportamento dos ingleses me ensinou demais, e foi útil em vários outros jogos da minha carreira. No Campeonato Italiano de 1987, por exemplo, foi jogar em Milão pelo Pescara, contra a Internazionale. Os milaneses nos olharam extremamente do mesmo jeito que os britânicos em 1981. E receberam a mesma lição. O Pescara, que acabava de subir para a série A, ganhou de 1x0. Foi sua primeira vitória contra um time grande da Itália, atuando fora de casa. E o resultado aconteceu mais uma vez, aproveitando as lições da partida em Tóquio.
Uma decisão que oferece tantos ensinamentos e ainda lhe da a glória do Campeonato Mundial Interclubes não pode ser mesmo esquecida. Principalmente porque foi uma emoção fantástica! Depois da vitória e o título assegurado, ninguém se lembrou nem de trocar as camisas com os jogadores do Liverpool. O que queríamos era vibrar. Festejar. Afinal, a partir daquele momento, nos éramos os melhores os melhores do mundo.”“.

Fonte: Revista Placar.

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