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Historia do Futebol Parte II & Artigos-Alexandre Martins & Perfis Alexandre Martins em 30 Jun 2009

BATATAIS E SUAS MÁGOAS

Já não é novidade dizer que Algisto Lorenzatto, esse nome complicado, pertence a um dos homens mais simples dessa terra: Batatais. Nem mesmo a nova geração desconhece quem foi Batatais, o goleiro de fabulosa colocação e nervos de aço.
Falando pausadamente, Batatais conta que teve uma infância muito pobre. Quando rapazola escolheu a profissão de carpinteiro, depois aprendeu também a trabalhar com vidros. Foi quando soube que havia uma vaga no Frigorífico Anglo. A firma possuía um timinho, e ali iniciou sua carreira na ponta esquerda. Era a vaga que sobrava para ele. Um dia, o goleiro adoeceu, os companheiros olharam para Batatais e disseram que ele tinha pinta de goleiro, e lá foi ele para debaixo dos paus.
Batatais começou a crescer como goleiro. Apareceu um emissário do Comercial e levou o goleiro para Ribeirão Preto. Em 1933, ano do profissionalismo, ele foi para a Portuguesa de Desportos com uma boa remuneração. Mais rápido do que se esperava, Batatais foi convocado para seleção paulista. Conquistou os títulos de campeão brasileiro nos anos de 1933/34/35. Neste último ano o futebol paulista sofreu uma violenta revolução.
Precisando reformar seu plantel e sentindo que o momento era aquele, o Fluminense fez carga, ofereceu muito dinheiro aos clubes paulistas e contratou meio selecionado de São Paulo. Claro que Batatais veio junto e continuou com sua coleção de titulo. Foi campeão carioca nos anos de 1936/37/38. Também foi campeão em 1940/41. Em 1938 era titular absoluto da seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo na França. Depois de sofrer cinco gols no jogo de estréia do Brasil contra a Polônia, Batatais foi substituído por Valter. Segundo Batatais, com o campo careca e cheio de lama, não deu condições para se fazer defesas com segurança. Tanto que o goleiro polonês tomou seis gols. Ele ficou resfriado e de fora do time. No último jogo contra a Suécia, Batatais voltou ao time e o Brasil venceu por 4x2.
Depois de dez anos no Fluminense, Batatais sofreu sua grande decepção. Uma mágoa que guardou até o fim de sua vida. Em 1946, quando Gentil Cardoso chegou ao Fluminense, o clube realizou uma viajam pelo Norte. Para não pagar um massagista, Gentil acumulou as funções de técnico e massagista. Ele receberia cem cruzeiros por jogo. Gentil ofereceu metade para Batatais fazer o serviço. O goleiro que estava na reserva topou. No final da temporada, quando foi cobrar o dinheiro do técnico, Gentil não quis pagar. Batatais reclamou e criou um problema com o treinador. Para se vingar, Gentil o dispensou num longo relatório que dizia cinicamente – Este rapaz só serve para massagear. Podem dispensa-lo - Depois de dez anos, o Fluminense o mandou embora sem nem uma carta de agradecimento.
O maior jogador que Batatais viu jogar foi Domingos da Guia. Achava que jogar ao seu lado era uma garantia de boas atuações. Destacava também Romeu, Leônidas da Silva, Zizinho e Ademir. O maior goleiro foi Planika. Entre os brasileiros, o melhor foi Castilho.

Fonte: revista Manchete Esportiva

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