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Historia do Futebol Parte II & Artigos-Alexandre Martins & Perfis Alexandre Martins em 31 Mar 2009

CRAQUES DA RAÇA - BELINI

Nunca foi um craque e, muito menos, um artista. Mas era capaz de apaixonar a torcida pela sua garra, sua coragem, seu amor a camisa e seu empenho para vencer qualquer jogo. Belini foi o grande capitão na conquista do mundial de 1958. Naquele breve momento de consagração quando o zagueiro levantava a Jules Rimet, idéias e pensamentos passaram rápido pela sua cabeça, como um filme em projeção acelerada: A copa de 1938 perdida por craques com Leônidas da Silva, Romeu e Domingos da Guia. A infância na pequena cidade de Itabira. O fracasso de 1950. O primeiro técnico que o estimulou a dar chutões. A decepção de 1954. O grande treinador Flavio Costa lhe dizendo que não se metesse a tentar jogar bonito porque seu negócio era rebater de bico. Os 60 milhões de pessoas que do outro lado do Atlântico, vibravam com as vitórias do Brasil e a vontade de chorar quando segurava a taça do mundo.
Hideraldo Luiz Belini foi um craque da raça. Ao longo dos 21 anos de carreira profissional, perseguiu esse duro caminho da permanente superação de suas limitações e deficiências. Não tinha outra opção. Ele percebeu que precisaria de raça, bastante raça, para ser o que pretendia: jogador de futebol. Sem grande talento, o que fazer senão lutar?
Jogando no interior de São Paulo, Belini jogava duro, mas procurando não ser desleal. Era tão sério que o poderoso Vasco da Gama do Rio de Janeiro, no inicio dos anos 50 resolveu contrata-lo. Os torcedores, a princípio, assustaram-se com ele. Como é que um becão daqueles, sem jeito nem competência para tratar a bola, podia defender um time que tinha craques como Danilo, Barbosa, Ademir, Maneca e Ipojucam ? Ciro Aranha, que assumiu a presidência do Vasco, se irritou ao encontrar com Belini, cujo passe tinha sido comprado pela diretoria anterior. Ele chegou a advertir o técnico Flavio Costa – Quando o senhor resolver escalar este rapaz, por favor, me avise para que eu não vá ao campo – E o técnico respondeu – Então é melhor o senhor ficar em casa a partir de domingo porque o rapaz vai entrar no time – E Flávio Costa ainda dizia para Belini – Não ligue para as pressões, continue rebatendo porque o último zagueiro que sabia jogar foi Domingos da Guia.
Com trombadas e chutões, em dez anos no Vasco, ajudou o clube a conquistar três títulos de campeão carioca e a confiança de todos os vascaínos. Depois da Copa do Mundo de 1962 quando se sagrou bi campeão, Belini foi para o São Paulo. E em 1968 ainda jogou no Atlético do Paraná, onde encerrou sua longa e brilhante carreira. O futebol para Belini sempre foi uma questão de sobrevivência. Através dela, com determinação, extremo esforço e toda sua raça, saltou da obscuridade para a fama.

Fonte: revista Placar

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